Um grupo formado por 76 profissionais renomados de cibersegurança divulgou nesta segunda-feira (15) uma carta aberta ao governo dos Estados Unidos solicitando a suspensão imediata da ordem de controle de exportação que atinge os modelos de inteligência artificial Fable e Mythos, da Anthropic. Segundo o documento, a medida retira das mãos dos “defensores” ferramentas decisivas para identificar vulnerabilidades e aumentar a segurança de softwares e produtos.
Medida anunciada na sexta-feira
Na última sexta-feira (12), o governo norte-americano determinou que a Anthropic limitasse a exportação dos dois modelos, alegando motivos de segurança nacional. A empresa afirmou não ter recebido detalhes sobre a justificativa e, em resposta, bloqueou o acesso a Fable e Mythos para todos os usuários no mundo.
Assinaturas de peso
Entre os signatários estão Alex Stamos, ex-chefe de segurança do Facebook; Casey Ellis, fundador da Bugcrowd; Jon Callas, criptógrafo e ex-Apple; Paul Vixie, cientista da computação; Dino Dai Zovi, ex-Block; Katie Moussouris, fundadora da Luta Security; e Rachel Tobac, CEO da SocialProof Security. O grupo considera “perigoso” retirar capacidades avançadas de quem defende sistemas enquanto adversários evoluem rapidamente.
Histórico dos modelos
Apresentado em abril como prévia, o Mythos foi descrito pela Anthropic como altamente eficaz na detecção de falhas de segurança, motivo pelo qual seu acesso inicial ficou restrito a cerca de 50 empresas, ampliadas depois para 150 organizações em 15 países. Já o Fable, lançado publicamente na semana passada, possui barreiras rigorosas para impedir uso em biologia, química e cibersegurança, além de evitar a reprodução do modelo. Especialistas relatam que tais restrições bloqueiam praticamente qualquer solicitação ligada à segurança digital.
Suposto “jailbreak” contestado
A Anthropic acredita que a ordem do governo pode ter sido motivada por um relatório — elaborado por pesquisadores da Amazon — que demonstra um método de contornar as proteções do Fable e acessar capacidades equivalentes às do Mythos. A pesquisa permanece confidencial, mas foi examinada por Katie Moussouris, que contesta a existência de um “jailbreak” real. Segundo ela, o estudo apenas mostra o modelo corrigindo código-fonte aberto com vulnerabilidades conhecidas, algo considerado essencial para a defesa cibernética.

Imagem: Getty
Pedido por regras transparentes
Na carta, os especialistas defendem regulamentações “transparentes e aplicadas de forma justa”, resultantes de processo democrático e baseadas em pesquisas científicas do setor público e privado. Eles também afirmam que a técnica descrita no documento da Amazon poderia ser reproduzida em outros sistemas de IA, como o GPT-5.5 da OpenAI, o Claude Opus 4.8 e Sonnet, da própria Anthropic, além de modelos chineses como o Kimi 2.7.
A Anthropic e o governo dos EUA ainda não comentaram publicamente sobre a possibilidade de rever a decisão.
Com informações de TechCrunch













