O lançamento do programa Desenrola 2.0 voltou a colocar em pauta a atuação do governo nas relações de crédito entre consumidores e bancos no Brasil. A iniciativa, que promete facilitar a renegociação de débitos de pessoas físicas, conta com a participação direta das principais instituições financeiras do país e prevê a utilização do Fundo Garantidor de Operações (FGO) para cobrir parte do risco das operações.
Segundo defensores da linha liberal clássica, como a escola austríaca de Murray Rothbard, o programa se enquadra no que o economista classificava como “intervenção triangular”, quando o Estado interfere em acordos privados e altera incentivos de mercado. Para esse grupo, a existência de garantias públicas, teto de juros e estímulos específicos distorce os preços e cria expectativas de novas renegociações no futuro.
Críticos do Desenrola 2.0 argumentam que bancos já têm a possibilidade de renegociar dívidas de forma espontânea e que, portanto, a participação estatal não seria essencial para viabilizar descontos ou prazos mais longos. Na visão deles, a absorção parcial do risco pelo governo reduz a responsabilidade das partes diretamente envolvidas e pode comprometer o incentivo à prudência financeira tanto de consumidores quanto de credores.
Os detratores também apontam que a iniciativa não aborda fatores estruturais ligados ao superendividamento, como inflação persistente, perda de renda real, baixa produtividade e expansão do crédito sem correspondente aumento de riqueza. Para esses analistas, o resultado é uma reorganização temporária dos efeitos do endividamento, sem atacar suas causas de origem.

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Apesar das críticas, o programa foi bem recebido por parte do sistema bancário, que participou da formatação das regras. A expectativa é de que a combinação de descontos agressivos e garantias públicas aumente a recuperação de créditos hoje considerados de difícil recebimento, ao mesmo tempo em que oferece alívio financeiro imediato a milhões de famílias.
Com informações de Folha Vitória







