NOAA confirma início do El Niño e prevê pico de intensidade até o fim do ano

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) informou nesta quinta-feira, 11, que o fenômeno climático El Niño já está em curso e deve ganhar força nos últimos meses de 2024.

Fenômeno altera ventos e chuvas em escala global

O El Niño aquece a superfície do Oceano Pacífico nas porções central e oriental do equador, provocando mudanças nos ventos, na pressão atmosférica e nos regimes de precipitação em diversas partes do mundo. O evento costuma ocorrer a cada dois a sete anos e se estende por um período de nove a doze meses, alternando-se com fases neutras ou de La Niña, seu oposto.

OMM alerta para impactos extremos

Na semana passada, a secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo, afirmou que governos e setores produtivos precisam se preparar para secas, chuvas intensas e ondas de calor em terra e no mar, efeitos que tendem a ser potencializados pelo El Niño.

Temperaturas já ultrapassam limiares

Entre o fim de abril e a metade de maio, a temperatura da superfície marítima no Pacífico Equatorial centro-oriental — área usada como referência para monitorar o fenômeno — aproximou-se dos valores característicos de El Niño, segundo a OMM. Em pontos subsuperficiais, a anomalia superou 6 °C acima da média.

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O Índice de Oscilação Sul, indicador atmosférico associado ao fenômeno, também apresenta valores compatíveis com o desenvolvimento do El Niño.

Calor recorde e efeitos regionais

O último episódio de El Niño contribuiu para que 2023 fosse o segundo ano mais quente já registrado e para que 2024 alcançasse a temperatura média global mais alta, cerca de 1,55 °C acima do nível pré-industrial (1850-1900).

Modelos climáticos indicam probabilidade quase universal de temperaturas acima da média entre junho e agosto, elevando o risco de estiagens em áreas onde as chuvas tendem a diminuir. Previsões regionais apontam:

  • chuvas abaixo do normal na estação chuvosa de junho a setembro no norte do Chifre da África;
  • monções enfraquecidas no sul da Ásia;
  • verões mais quentes e secos na América Central.

No verão do hemisfério norte, águas mais quentes no Pacífico podem favorecer furacões nessa região, ao mesmo tempo em que reduzem a formação de tempestades no Atlântico.

A OMM ressalta que não há evidências de aumento na frequência ou intensidade dos eventos de El Niño devido às mudanças climáticas, mas destaca que um oceano e uma atmosfera mais aquecidos ampliam os impactos, tornando eventos extremos mais prováveis.

Com informações de Folha Vitória

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