Executivos apontam gargalos de chips, energia e soberania na cadeia global de IA

Cinco nomes que atuam em diferentes camadas da cadeia de suprimentos da inteligência artificial se reuniram nesta semana na Milken Global Conference, em Beverly Hills, para discutir os entraves que ameaçam o avanço do setor.

Escassez de semicondutores deve persistir

Christophe Fouquet, presidente-executivo da holandesa ASML, afirmou que, apesar da aceleração na fabricação de chips, o mercado permanecerá limitado pela oferta por dois a cinco anos. Segundo ele, os grandes provedores de nuvem — Google, Microsoft, Amazon e Meta — não receberão todos os semicondutores já contratados nesse período.

Demanda explode na nuvem do Google

Francis deSouza, diretor-de-operações do Google Cloud, relatou que a divisão alcançou US$ 20 bilhões em receita no último trimestre, alta de 63%. O backlog (valores comprometidos, mas ainda não entregues) quase dobrou em três meses, de US$ 250 bilhões para US$ 460 bilhões, evidenciando a pressão por capacidade computacional.

Dados do mundo real viram obstáculo

Para Qasar Younis, cofundador e CEO da Applied Intuition, o principal gargalo está fora das fábricas de chips. A companhia desenvolve sistemas de autonomia para veículos, mineração e defesa. “É preciso coletar dados em campo; a simulação sintética não fecha totalmente essa lacuna”, resumiu.

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Energia leva Google a estudar centros de dados em órbita

Com o avanço da IA, o consumo energético surge como preocupação imediata. DeSouza confirmou que o Google avalia operar data centers no espaço para aproveitar fontes mais abundantes de energia. O executivo observou que, no vácuo, a dissipação de calor ocorre apenas por radiação, exigindo novas soluções de engenharia.

Modelos baseados em energia desafiam o padrão dos LLMs

A física quântica Eve Bodnia, fundadora da Logical Intelligence, apresentou sua aposta em modelos “energy-based”, que buscam regras subjacentes aos dados em vez de prever o próximo token. Seu maior modelo tem 200 milhões de parâmetros — contra centenas de bilhões dos LLMs líderes — e, segundo ela, opera “milhares de vezes” mais rápido, atualizando conhecimento sem necessidade de re-treino completo.

Agentes digitais exigem controle granular

Dimitry Shevelenko, diretor de negócios da Perplexity, explicou que o novo produto Perplexity Computer funciona como um “trabalhador digital” que executa tarefas após aprovação do usuário. Empresas podem definir permissões de leitura ou escrita para cada integração, medida que o executivo classifica como essencial para a segurança.

Soberania entra no debate sobre IA física

Younis destacou a relação entre sistemas autônomos e autonomia nacional. Segundo ele, poucos países conseguem operar frotas de robotáxis — número menor que o de nações com armas nucleares — e, por isso, governos se mostram relutantes em permitir que máquinas controladas por estrangeiros circulem em seus territórios.

Fouquet comentou ainda que o avanço chinês em IA enfrenta limites abaixo da camada de modelos: sem acesso à litografia ultravioleta extrema (EUV), fabricantes locais não produzem semicondutores de ponta, o que afeta o desempenho mesmo com software refinado.

Impacto nas próximas gerações

Perguntados sobre o efeito da IA no pensamento crítico dos jovens, os painelistas adotaram tom otimista. DeSouza citou a chance de atacar doenças neurológicas e problemas climáticos; Shevelenko lembrou que as barreiras para empreender nunca foram tão baixas; já Younis observou que a automação pode suprir falta de mão de obra em agricultura, mineração e transporte — setores nos quais a idade média do trabalhador norte-americano já chega a 58 anos.

O debate evidenciou que, embora as oportunidades sejam vastas, limitações físicas de chips, energia e dados reais, além de questões de soberania, podem frear a expansão da inteligência artificial nos próximos anos.

Com informações de TechCrunch

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