Índia amplia uso do Aadhaar com novo aplicativo e verificação offline; especialistas alertam para riscos de privacidade

O governo indiano, por meio da Autoridade Única de Identificação da Índia (UIDAI), lançou no fim de janeiro um novo aplicativo do Aadhaar e um sistema de verificação offline que leva a maior base de identidade digital do mundo a mais situações do dia a dia.

O app permite que o usuário compartilhe apenas dados específicos, como a confirmação de maioridade em vez da data de nascimento completa, com hotéis, condomínios, locais de trabalho, plataformas digitais e dispositivos de pagamento. O aplicativo mAadhaar segue ativo, mas agora funciona em paralelo à nova versão.

Segundo a UIDAI, a verificação offline dispensa a consulta em tempo real ao banco de dados central, reduzindo o uso de fotocópias e capturas de tela que costumam circular sem controle. A autarquia também posiciona o aplicativo como “cartão de visita” digital, com troca de informações via QR code.

Integrações e uso pela polícia

A UIDAI negocia integrar o Aadhaar ao Google Wallet e mantém conversas com a Apple para ampliar a presença do documento em carteiras digitais — recurso já disponível no Samsung Wallet. No setor de segurança, a unidade Crime Branch de Ahmedabad tornou-se a primeira força policial do país a adotar a verificação offline dentro do PATHIK, plataforma que registra hóspedes em hotéis e pousadas.

Adesão cresce nos aplicativos

Dados da Appfigures indicam que o novo aplicativo, disponível nas lojas desde o fim de 2025, superou rapidamente o mAadhaar em instalações mensais. Os downloads combinados dos apps saltaram de cerca de 2 milhões em outubro para quase 9 milhões em dezembro.

O Aadhaar já emitiu mais de 1,4 bilhão de números de identificação e processa aproximadamente 2,5 bilhões de autenticações por mês. O novo modelo não substitui essa infraestrutura, mas a torna mais visível no cotidiano.

Regulamentação e críticas

Uma norma recente autoriza órgãos públicos e empresas privadas a conferir credenciais do Aadhaar sem acionar o banco de dados principal. Para organizações de direitos digitais, porém, a mudança não elimina riscos estruturais.

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Imagem: Internet

Raman Jit Singh Chima, da entidade Access Now, questiona a ampliação antes da instalação do Conselho de Proteção de Dados da Índia. Já Prasanth Sugathan, do grupo SFLC.in, afirma que o aplicativo não resolve falhas recorrentes de segurança, inconsistências cadastrais e falta de mecanismos de reparação — problemas apontados inclusive por auditoria da Controladoria e Auditoria-Geral em 2022.

Integrantes da campanha Rethink Aadhaar, Shruti Narayan e John Simte, alertam que permitir a verificação por empresas privadas reabre um uso vetado pela Suprema Corte em 2018. Para eles, o consentimento nesses contextos é “ilusório”, sobretudo em hotéis, condomínios ou serviços de entrega, num momento em que a lei de proteção de dados do país ainda não foi testada.

O Ministério de TI da Índia e o diretor-presidente da UIDAI não comentaram o assunto.

Com informações de TechCrunch

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