A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) pediu ao governo federal que mantenha integralmente o cronograma de recomposição das tarifas de importação para veículos elétricos e encerre definitivamente as cotas que permitem trazer ao país kits de montagem com alíquota reduzida ou isenta.
Previsibilidade para investimentos
De acordo com a entidade, as duas medidas foram pactuadas com o Executivo no âmbito da política industrial e são consideradas essenciais para garantir previsibilidade aos investimentos anunciados pelas montadoras instaladas no Brasil.
Estoques para 150 dias
Levantamento apresentado pela Anfavea mostra que, em maio de 2026, os estoques do setor chegaram ao equivalente a 150 dias de vendas, impulsionados sobretudo por veículos importados. A associação atribui parte desse aumento ao abastecimento antecipado realizado por algumas empresas enquanto vigoraram tarifas reduzidas.
Participação nacional cresce, mas importações disparam
Os dados indicam que, em 2025, os modelos eletrificados produzidos localmente representaram 26% das vendas da categoria, percentual que subiu para 40% em 2026. No mesmo intervalo, os emplacamentos de veículos eletrificados importados avançaram 214% entre 2023 e 2025.
Uso limitado de kits desmontados
A Anfavea reconhece que a importação de kits pode ser útil nas fases iniciais de implantação de fábricas, mas sustenta que o modelo deve evoluir para maior integração local, com aumento do conteúdo nacional e fortalecimento da cadeia de fornecedores brasileiros.
Riscos para autopeças e empregos
Estudo citado pela entidade aponta que uma expansão maciça da produção baseada em kits desmontados poderia representar perda de R$ 96,8 bilhões em vendas para o setor de autopeças, além de reduzir a arrecadação federal em R$ 24,3 bilhões e eliminar cerca de 68 mil empregos diretos e outros 191 mil em toda a cadeia automotiva.

Imagem: Internet
Reivindicações
Diante do cenário, a associação solicita:
- manutenção sem alterações do calendário de recomposição tarifária;
- não renovação das cotas encerradas em janeiro de 2026;
- não criação de novos mecanismos que adiem as tarifas previstas;
- diálogo prévio com o setor antes de qualquer mudança nas atuais regras.
A Anfavea afirma que mudanças no modelo atual poderiam abalar a confiança dos investidores e comprometer projetos de desenvolvimento da indústria automotiva nacional voltados à mobilidade elétrica.
Com informações de Car.blog.br












