Meta inicia desmonte de aquisição de US$ 2 bilhões da Manus após ordem de Pequim

A Meta começou a desfazer a compra de US$ 2 bilhões da Manus, startup de inteligência artificial fundada na China, atendendo a uma determinação de desinvestimento emitida pelo governo chinês há cerca de dois meses por razões de segurança nacional.

Segundo a agência Bloomberg, a empresa já bloqueou o acesso da Manus aos sistemas internos da Meta, impedindo que funcionários utilizem as ferramentas da startup em projetos corporativos. O passo marca a separação operacional mais concreta entre as duas companhias desde o anúncio da aquisição, em dezembro do ano passado.

Paralelamente, reportagens de maio indicam que os cofundadores da Manus iniciaram conversas preliminares para captar aproximadamente US$ 1 bilhão com investidores externos. A injeção de recursos abriria caminho para que o controle da empresa volte às mãos dos fundadores, possibilitando uma estrutura de joint venture na China e, mais adiante, um IPO em Hong Kong — praça que tem recebido várias aberturas de capital de startups chinesas de IA, como MiniMax e Zhipu, ao longo de 2026.

O recuo no acordo, antes visto como uma venda histórica para o setor de IA chinês, reforça a intenção de Pequim de manter domínio sobre tecnologias consideradas estratégicas, mesmo quando as empresas têm sede no exterior.

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Pressões regulatórias ampliadas

Além do pedido de desinvestimento, autoridades chinesas passaram a impor restrições de viagem a pesquisadores e executivos de empresas privadas, exigindo aprovação governamental antes de saídas do país. Há ainda novos controles sobre capital estrangeiro: veículos locais relatam que grandes companhias de IA, como Moonshot AI, StepFun e ByteDance, precisarão de aval oficial antes de receber investimentos de origem norte-americana.

Manus segue lançando produtos

Mesmo diante do rompimento com a Meta, a Manus continua a anunciar funcionalidades, incluindo integrações com as plataformas Similarweb e Shopify. A startup ganhou projeção mundial após um vídeo de demonstração viral de agentes autônomos de IA e transferiu sua equipe para Cingapura em meados de 2025, antes da oferta bilionária da Big Tech dos EUA.

Histórico do negócio

Reguladores chineses passaram a analisar a transação no início deste ano, citando possíveis violações de regras de exportação de tecnologia e de investimento estrangeiro. Investidores da Manus nos Estados Unidos, como a Benchmark, já receberam os valores acordados pela venda. Entre os financiadores asiáticos — Tencent, HSG e ZhenFund —, há indicação de que cooperarão com o processo de desfazimento, conforme publicado pelo Wall Street Journal.

A origem chinesa da Manus, ligada à controladora Butterfly Effect, também gerou questionamentos nos Estados Unidos. O senador John Cornyn, por exemplo, manifestou preocupação sobre a entrada de capital norte-americano em uma empresa associada à China.

Meta e Manus não responderam a pedidos de comentário fora do horário comercial.

Com informações de TechCrunch

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