São Francisco (EUA) – A Salesforce divulgou nesta quarta-feira (25) os resultados do quarto trimestre fiscal e apresentou uma série de medidas para convencer o mercado de que a onda de inteligência artificial não ameaça seu modelo de negócios.
Resultados financeiros
A companhia faturou US$ 10,7 bilhões no trimestre, alta de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado do exercício, a receita somou US$ 41,5 bilhões, crescimento de 10%, impulsionada pela compra da especialista em gerenciamento de dados Informatica por US$ 8 bilhões, concluída em maio.
O lucro líquido anual ficou em US$ 7,46 bilhões. Para o exercício fiscal que se inicia, a Salesforce projeta receita entre US$ 45,8 bilhões e US$ 46,2 bilhões, avanço estimado de 10% a 11%. O valor de obrigações de desempenho restantes (RPO), indicador que reflete contratos assinados ainda não reconhecidos como receita, ultrapassou US$ 72 bilhões.
Diversas frentes para agradar acionistas
Entre os anúncios destinados a reforçar a confiança dos investidores, a companhia:
- Elevou o dividendo em quase 6%, para US$ 0,44 por ação;
- Aprovou um novo programa de recompra de ações de US$ 50 bilhões.
“SaaSpocalypse” pauta a conferência
As ações de empresas de software como serviço vêm sofrendo pressão diante do receio de que agentes de IA tornem obsoletos os modelos baseados em licenças por usuário. O cenário, apelidado de “SaaSpocalypse”, foi citado pelo CEO Marc Benioff ao menos seis vezes na teleconferência. “Este não é o nosso primeiro ‘SaaSpocalypse’. Já passamos por alguns”, afirmou, em tom de brincadeira, acrescentando que “se houver um SaaSpocalypse, ele pode ser engolido pelo Sasquatch” em referência ao suposto apetite do mercado por soluções de SaaS aprimoradas com agentes.
Formato inusitado de apresentação
Transformando a chamada em uma mistura de podcast, infomercial e sessão de perguntas, Benioff entrevistou três clientes em vídeo: os CEOs da SharkNinja, da Wyndham Hotels and Resorts e da conferência SaaStr. Todos exaltaram os novos recursos de agentes de IA da plataforma.
Novo indicador de desempenho: AWU
A Salesforce estreou a métrica “agentic work units” (AWU), que mede tarefas concluídas por agentes, como gravação de dados em registros, em vez de apenas contabilizar tokens processados. No trimestre, foram registrados 19 trilhões de tokens. “Pedir para escrever um poema não tem tanto valor no mundo corporativo”, comentou o presidente e CMO Patrick Stokes, explicando que o AWU busca mensurar ações verificáveis.

Imagem: Internet
Disputa pelo controle da pilha de IA
A empresa apresentou ainda sua visão arquitetônica, na qual fornecedores de SaaS, como ela própria, detêm a maior parte da camada tecnológica, enquanto desenvolvedores de modelos de IA se tornam motores de trabalho intercambiáveis. O posicionamento contrasta com o da OpenAI, que, ao lançar o agente corporativo Frontier, desenhou cenário onde a própria OpenAI assume a camada principal e os sistemas de registro ficam na base.
Em meio às estratégias para reforçar a imagem de vanguarda em IA, Benioff apareceu vestido com jaqueta de couro preta, lembrando o visual característico do CEO da Nvidia, Jensen Huang.
As informações encerram a apresentação dos resultados, que buscou minimizar preocupações sobre o futuro do SaaS diante da rápida evolução dos agentes de inteligência artificial.
Com informações de TechCrunch












