Caterpillar compra ativos da Monarch Tractor após sequência de demissões, processos e perda de fabricante

São Paulo — A Caterpillar adquiriu os ativos da Monarch Tractor, startup de tratores elétricos autônomos fundada em 2018, segundo registros apresentados ao Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos (USPTO). A operação encerra anos de dificuldades financeiras e operacionais da companhia.

A transação, inicialmente divulgada pela Bloomberg, ocorre após múltiplas rodadas de cortes de pessoal, três ações judiciais movidas por concessionárias e a perda da parceria de fabricação com a Foxconn. Poucas semanas antes, o cofundador Carlo Mondavi afirmou ter sido afastado da empresa por discordar da estratégia do diretor-executivo Praveen Penmetsa, que priorizava o desenvolvimento de software.

Mondavi não foi localizado para comentar. Penmetsa limitou-se a reiterar comunicado divulgado na semana passada, no qual a Monarch mencionava apenas a venda de sua tecnologia a “um grande fabricante global de equipamentos”. A Caterpillar não respondeu aos pedidos de posicionamento.

Trajetória de altos investimentos e riscos crescentes

Desde a fundação, a Monarch levantou mais de US$ 200 milhões. O plano original era produzir tratores elétricos com opção de condução autônoma capazes de operar em vinícolas, pomares e fazendas de laticínios. A produção deveria ocorrer em Livermore, Califórnia, mas acabou transferida para a antiga fábrica da General Motors em Lordstown, Ohio, operada pela taiwanesa Foxconn.

Na instalação em Ohio, a Foxconn prometia fabricar veículos para as startups Fisker, Lordstown Motors, IndiEV e os tratores da Monarch. Entretanto, o grupo produziu apenas algumas unidades do caminhão elétrico da Lordstown antes da falência da montadora. Fisker e IndiEV também entraram em colapso, e somente algumas centenas de tratores Monarch chegaram a ser montadas. Em agosto de 2025, a Foxconn vendeu a planta à SoftBank, deixando a Monarch sem linha de produção.

Nesse período, a empresa já enfrentava dificuldades de caixa. Em 2024, realizou demissões antes e depois de captar US$ 133 milhões, optando por concentrar esforços na licença de seu software autônomo. Concessionárias, porém, alegaram em tribunal que a tecnologia nunca funcionou adequadamente; o primeiro processo foi aberto em setembro de 2025, seguido por mais duas ações federais. Em um desses casos, documentos indicam que a Monarch entrou em “assignment for the benefit of creditors”, alternativa ao capítulo 7 da lei de falências norte-americana.

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Imagem: Internet

Saída de cofundadores e leilão de estoque

Em março de 2026, Mondavi comentou em uma publicação no Instagram de um agricultor que reclamava do desempenho dos tratores. Segundo ele, deixou a empresa mais de um ano antes após ver problemas de confiabilidade no próprio vinhedo e em propriedades de amigos. O empreendedor defendia mudanças de hardware, enquanto o CEO apostava em soluções de software.

No início de 2026, a Monarch leiloou a maior parte de seus tratores restantes. A aquisição pela Caterpillar, agora confirmada nos registros oficiais, encerra formalmente a trajetória independente da startup.

Com informações de TechCrunch

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