São Francisco (EUA) – O CEO da OpenAI, Sam Altman, abriu uma sessão de perguntas no X às 19h de sábado (29) para explicar por que a empresa aceitou um contrato do Departamento de Defesa que a rival Anthropic havia recusado horas antes. A iniciativa expôs a dificuldade de empresas de inteligência artificial em lidar com a relação cada vez mais estreita com o governo dos Estados Unidos.
Durante a conversa, usuários questionaram se a OpenAI participaria de monitoramento em massa e de sistemas de armamento autônomo – práticas que a Anthropic descartou em suas tratativas com o Pentágono. Altman afirmou repetidamente que a definição de limites cabe às autoridades eleitas. “Acredito profundamente no processo democrático e no poder de nossos líderes eleitos; todos precisamos preservar a Constituição”, escreveu.
Uma hora depois, o executivo demonstrou surpresa com a repercussão: “Há mais debate do que eu imaginava sobre quem deveria ter mais poder, um governo eleito ou empresas privadas sem mandato popular”, comentou.
Pentágono amplia pressão
A troca de fornecedores ocorreu após o secretário de Defesa, Pete Hegseth, anunciar na sexta-feira (28) a intenção de classificar a Anthropic como “risco de cadeia de suprimentos”. A medida, se confirmada, poderia cortar o acesso da companhia a chips e serviços de nuvem, inviabilizando suas operações. Analistas apontam que seria um movimento sem precedentes contra uma empresa norte-americana e que, mesmo revertido na Justiça, causaria prejuízos imediatos.
Ex-integrante do governo Trump, Dean Ball afirmou que o Pentágono tentou alterar cláusulas de um contrato firmado anos antes, exigindo que a Anthropic aceitasse possibilidades de vigilância ampliada e emprego letal da tecnologia. Ao recusar, a startup deixou a disputa, abrindo caminho para a OpenAI.

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Risco político e interno
A decisão colocou a OpenAI sob fogo cruzado. De um lado, funcionários pressionam por “linhas vermelhas” que impeçam usos militares controversos. De outro, veículos alinhados à direita monitoram qualquer sinal de que a empresa não seja uma aliada política confiável. O cenário é agravado pela administração Trump, que tenta tornar a discussão ainda mais difícil, observam fontes próximas.
Especialistas lembram que, historicamente, a indústria de defesa norte-americana foi dominada por conglomerados regulados, como Raytheon e Lockheed Martin, capazes de atravessar ciclos políticos sem grandes abalos. Startups de IA, avaliadas em bilhões de dólares e acostumadas a ritmo acelerado, agora precisam aprender a operar sob o mesmo escrutínio – mas com bem menos experiência nesse campo.
Com informações de TechCrunch







