Washington (EUA), 25 de fevereiro de 2026 – Pesquisadores da Washington University in St. Louis desenvolveram fibras de proteína que reproduzem o comportamento de fibras musculares de animais, combinando alta resistência, capacidade de dissipar energia e memória de forma.
O trabalho, descrito na revista Advanced Functional Materials, foi liderado pelo professor Fuzhong Zhang, do Departamento de Engenharia de Energia, Meio Ambiente e Química, em parceria com o doutorando Shri Venkatesh Subramani, primeiro autor do estudo. A equipe utilizou técnicas de biologia sintética para cultivar microrganismos geneticamente modificados em biorreatores, produzindo proteínas musculares em larga escala.
Como as fibras foram criadas
As proteínas fabricadas apresentam estrutura semelhante a domínios imunoglobulina (Ig), comuns em diversos músculos animais. Após a produção, essas proteínas foram transformadas em fios que, segundo os testes, superam muitos materiais sintéticos em resistência à tração.
Em colaboração com o grupo do professor Sinan Keten, da Northwestern University, os cientistas investigaram os parâmetros que resultam em melhor desempenho. Fibras derivadas da proteína filamina mostraram combinação de alta força, tenacidade, capacidade de amortecimento, recuperação de forma e estabilidade mecânica mesmo sob elevada umidade e temperatura.
Vantagens sobre outros biomateriais
De acordo com Subramani, a hidrofobicidade do material foi decisiva para aprimorar as propriedades dos fios. Diferentemente de fibras baseadas em seda de aranha, as novas fibras quase não encolhem em ambientes úmidos.
Outra vantagem é o rendimento de produção: a composição com maior variedade de aminoácidos torna o processo em biorreator mais estável e eficiente, superando limitações de outros biomateriais proteicos.

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Possíveis aplicações
Os pesquisadores pretendem ampliar a escala de fabricação e avaliar o uso das fibras em vestuário esportivo, implantes biomédicos, andaimes para engenharia de tecidos e até na produção de carne cultivada. “Proteína animal nada mais é que fibra muscular; se conseguirmos cultivar essa fibra sem o animal, podemos estruturá-la de forma semelhante à carne”, afirmou Subramani.
Os próximos passos incluem otimizar a produção industrial e investigar a viabilidade comercial em diferentes setores.
Com informações de Nanowerk






