A X-energy iniciou nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, a apresentação a investidores para sua oferta pública inicial (IPO). Documentos enviados à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) indicam faixa de preço entre US$ 16 e US$ 19 por ação. No teto dessa banda, a empresa pode captar aproximadamente US$ 814 milhões.
A companhia de energia nuclear, que já recebeu cerca de US$ 1,8 bilhão em aportes segundo a PitchBook, busca aproveitar o crescente interesse por fissão nuclear em meio ao aumento da demanda elétrica impulsionada por centros de dados de inteligência artificial e pela eletrificação de diversos setores.
Amazônia dos Estados Unidos é um dos principais investidores da X-energy. O gigante de tecnologia liderou uma rodada Série C-1 de US$ 500 milhões e firmou compromisso para adquirir até 5 gigawatts de energia nuclear da startup até 2039.
Esta não é a primeira tentativa da empresa de acessar o mercado público. Em 2023, a X-energy cancelou um acordo de fusão reversa com uma empresa de aquisição de propósito específico (SPAC) após o arrefecimento desse tipo de operação.
Modelo de reator e disputa de patentes
A tecnologia da X-energy baseia-se em reatores de alta temperatura refrigerados a gás. O combustível de urânio é encapsulado em esferas de cerâmica e carbono — o chamado TRISO — e resfriado por hélio, que transfere calor para um ciclo de turbina a vapor. O desenho promete maior segurança em relação a combustíveis anteriores, embora ainda seja pouco usado comercialmente.
A empresa informou à SEC que enfrenta uma disputa de patentes com a extinta Ultra Safe Nuclear Corporation (USNC). Após a falência da USNC em 2024, seus ativos foram adquiridos e formaram a Standard Nuclear. A X-energy alega violação de patentes relacionadas à fabricação de combustível e afirma não estar satisfeita com o andamento da questão no processo falimentar.

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Desafios do setor
Fora da China, o desenvolvimento de novos reatores tem sido prejudicado por atrasos e estouros de orçamento. Startups de pequeno porte defendem que reatores modulares e menores podem contornar parte dessas barreiras, embora nenhuma delas tenha conectado uma usina à rede elétrica até o momento. Diversas empresas correm para cumprir um prazo de 4 de julho estabelecido pelo governo dos Estados Unidos, mas é provável que algumas atrasem.
Mesmo após alcançar a “criticidade” — quando a reação de fissão se torna autossustentável —, o caminho até operações lucrativas tende a ser longo. A X-energy estima reduzir em 30% o custo de fabricação de seus reatores quando atingir produções em escala (“n-ésima de seu tipo”). O investimento necessário para o primeiro reator, porém, será determinante para o futuro da companhia.
Com informações de TechCrunch







