A OpenAI comunicou nesta terça-feira, 24 de março de 2026, que vai encerrar o Sora, aplicativo de vídeos gerados por inteligência artificial lançado há apenas seis meses. A empresa não detalhou os motivos da decisão nem informou o cronograma exato para a desativação da plataforma e de sua API.
Lançado inicialmente por convite, o Sora se propunha a ser um “TikTok voltado para IA”, reproduzindo o feed vertical de vídeos curtos. O recurso principal, batizado de “cameos” — depois renomeado para “characters” após disputa judicial com a plataforma Cameo — permitia que usuários escaneassem o próprio rosto para criar deepfakes realistas de si mesmos, disponíveis para uso público.
Problemas de moderação e conteúdos polêmicos
Apesar do modelo Sora 2 impressionar pela qualidade de geração de imagens e áudio, a rede social não conseguiu manter o interesse do público. Usuários burlaram as barreiras impostas pela OpenAI e publicaram deepfakes de figuras conhecidas, como Martin Luther King Jr. e Robin Williams, o que gerou protestos de familiares. Também surgiram vídeos com personagens protegidos por direitos autorais, incluindo Mario, Pikachu e Naruto, em situações inusitadas.
O ambiente pouco moderado resultou em produções bizarras, como múltiplos clipes envolvendo o CEO da OpenAI, Sam Altman, criados sem autorização.
Acerto com a Disney e queda de usuários
No auge da polêmica, a Disney firmou um acordo de US$ 1 bilhão para licenciar suas marcas — Disney, Marvel, Pixar e Star Wars — dentro do Sora. Com o fim do aplicativo, o negócio foi cancelado antes que qualquer quantia fosse transferida, segundo a imprensa norte-americana.
Dados da consultoria Appfigures indicam que o serviço atingiu o pico em novembro, com aproximadamente 3.332.200 downloads somados entre App Store e Google Play. Em fevereiro, o número caiu para 1.128.700. Durante todo o período, a receita estimada foi de US$ 2,1 milhões via compras de créditos para geração de vídeos.

Imagem: Getty
Tecnologia permanece disponível
A OpenAI informou que o modelo Sora 2 continuará acessível para assinantes do ChatGPT, sugerindo que a tecnologia de criação de vídeos por IA segue em operação, embora fora de um ambiente social próprio.
Até o momento, a companhia não revelou se pretende lançar um produto substituto ou como apoiará a comunidade que utilizava o aplicativo.
Com informações de TechCrunch







