David Sacks encerrou sua atuação de 130 dias, não consecutivos, como responsável por inteligência artificial e criptomoedas no governo Donald Trump. Em entrevista à Bloomberg nesta quinta-feira (26), o empresário, investidor e podcaster confirmou que deixou o posto de “czar” de IA para assumir a copresidência do Conselho de Assessores do Presidente para Ciência e Tecnologia (PCAST, na sigla em inglês) ao lado de Michael Kratsios, conselheiro sênior de tecnologia da Casa Branca.
“Agora poderei fazer recomendações não só sobre IA, mas sobre um leque mais amplo de temas tecnológicos”, afirmou Sacks durante a conversa por vídeo.
A mudança afasta o executivo do centro de poder em Washington. Enquanto “czar”, Sacks tinha contato direto com Trump e participação na formulação de políticas. Já o PCAST é um órgão consultivo: analisa temas, produz relatórios e encaminha sugestões ao governo, mas não estabelece normas.
Criado na era Franklin D. Roosevelt, o conselho reúne nesta edição 15 nomes de peso do setor, como Jensen Huang (Nvidia), Mark Zuckerberg (Meta), Larry Ellison (Oracle), Sergey Brin (Google), Marc Andreessen, Lisa Su (AMD) e Michael Dell. “É o grupo com mais estrelas já montado”, disse Sacks à Bloomberg.
Segundo o novo copresidente, o PCAST estudará IA, semicondutores avançados, computação quântica e energia nuclear. A atenção inicial estará na implementação do framework nacional de IA divulgado por Trump na semana passada, voltado a substituir regras estaduais conflitantes. “Temos 50 estados regulando de 50 maneiras diferentes, criando um mosaico difícil para os inovadores”, argumentou.
Sacks não explicou por que a transição ocorre agora. No início do mês, no podcast “All In”, ele defendeu que o governo buscasse uma saída para a guerra apoiada pelos EUA contra o Irã. Questionado, Trump disse que o empresário não havia tratado do assunto com ele. À Bloomberg, Sacks ressaltou que suas declarações foram pessoais e que não integra as equipes de política externa ou segurança nacional.

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O impacto do PCAST varia conforme o governo. Na gestão Obama, o grupo publicou 36 relatórios — dois resultaram em mudanças concretas, como a liberação de aparelhos auditivos sem prescrição médica. No primeiro mandato de Trump, o conselho demorou quase três anos para ser formado e produziu poucos documentos; no governo Biden, a composição foi majoritariamente acadêmica.
Com a nova função, Sacks pode retomar suas atividades como investidor e empreendedor. Ele obteve permissões éticas para manter participações em empresas de IA e cripto enquanto influenciava políticas nessas áreas, situação que recebeu críticas de especialistas e parlamentares.
Com informações de TechCrunch







