Estados Unidos – Apesar de contar com uma equipe própria de assistência, a Waymo tem recorrido a agentes públicos para remover seus robotaxis de situações de risco. Levantamento mostra que, em pelo menos seis ocorrências recentes, policiais e bombeiros precisaram dirigir os veículos autônomos para liberar vias ou permitir a passagem de socorro.
Incêndio na Califórnia expôs o problema
Em agosto do ano passado, um incêndio consumiu cerca de 10 acres de vegetação às margens da I-280, próximo a Redwood City (Califórnia). Com a rodovia bloqueada, a Patrulha Rodoviária da Califórnia (CHP) ordenou que motoristas retornassem pela contramão. Entre eles estava um robotáxi da Waymo que, após tentar avançar pelo acostamento, entrou em marcha à ré e parou de vez.
Sem conseguir mover o veículo por assistência remota, um funcionário da Waymo ligou para o 911 e pediu que um policial conduzisse o carro e providenciasse transporte para o passageiro. Trinta minutos depois, um agente da CHP assumiu o volante e levou o automóvel até um estacionamento próximo, onde um colaborador da Waymo o recolheu.
Dependência recorrente de primeiros socorros
O caso não foi isolado. Documentos obtidos revelam que primeiros socorristas tiveram de intervir em pelo menos meia dúzia de situações semelhantes, inclusive durante um atendimento a um tiroteio em massa em Austin, Texas. Houve ainda incidentes em Atlanta, Geórgia, e Nashville, Tennessee, nos quais oficiais precisaram desligar sistemas autônomos ou dirigir os carros para fora de interseções bloqueadas.
Estrutura de apoio da empresa
A Waymo afirma operar uma equipe de roadside assistance dedicada, além de cerca de 70 operadores de assistência remota — metade nos Estados Unidos e metade nas Filipinas — que monitoram uma frota de aproximadamente 3 000 veículos. Segundo a companhia, os operadores orientam, mas não controlam diretamente os carros. O tempo médio de resposta é de 150 ms para centros nos EUA e 250 ms para os baseados no exterior.
A serviço em nove regiões metropolitanas (Atlanta, Austin, Los Angeles, Dallas, Houston, Miami, Orlando, Phoenix, San Antonio) e na área da baía de São Francisco, a empresa prevê expandir para cerca de 20 cidades ainda este ano. Os robotaxis realizam mais de 400 000 viagens pagas por semana.
Cobrança de autoridades locais
Em 2 de março, uma audiência na Câmara de Supervisores de São Francisco discutiu problemas causados por veículos que travaram durante um apagão em dezembro. A diretora do Departamento de Gerenciamento de Emergências da cidade, Mary Ellen Carroll, criticou a “terceirização” de tarefas aos socorristas: “Eles estão virando um serviço de guincho improvisado, o que é insustentável”.

Imagem: Getty
O gestor da equipe de incidentes da Waymo, Sam Cooper, declarou que mais de 30 000 profissionais de emergência já foram treinados para lidar com robotaxis e que a empresa aprimorou sua capacidade de mobilizar funcionários em larga escala. Detalhes dessas melhorias, porém, não foram divulgados.
Falhas de comunicação e segurança
Alguns episódios levantaram questionamentos sobre a eficácia do suporte remoto. Em janeiro, em Austin, um operador autorizou um robotáxi a ultrapassar um ônibus escolar que estava com placas e luzes de parada acionadas, conforme investigação do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB). A Waymo diz auditar as respostas dos assistentes e pode descredenciar quem comete erros.
Enquanto cidades americanas discutem regras mais rígidas para veículos autônomos, autoridades insistem que bombeiros e policiais não devem atuar como “AAA” dos robotaxis. “Nossos socorristas não podem ser guincheiros”, reforçou o supervisor distrital Alan Wong.
A Waymo afirma que não espera que agentes públicos movam seus carros, mas admite ter criado um processo para que eles assumam o controle “em questão de segundos” quando a urgência exigir.
Com informações de TechCrunch







