Uma mulher identificada como Jane Doe abriu ação na Suprema Corte da Califórnia, em São Francisco, pedindo indenização punitiva da OpenAI. Segundo a queixa, o ChatGPT teria reforçado delírios de seu ex-companheiro, um empresário de 53 anos do Vale do Silício, e acelerado uma campanha de perseguição e assédio contra ela.
Doe também solicitou uma ordem de restrição temporária que obrigue a empresa a bloquear a conta do usuário, impedir a criação de novos perfis, avisá-la caso ele tente voltar à plataforma e preservar todos os registros de conversa para a fase de descoberta.
De acordo com os advogados da autora, a OpenAI suspendeu a conta do homem, mas recusou as demais exigências e, até o momento, não forneceu detalhes sobre eventuais planos de violência que ele possa ter discutido com o sistema.
Escalada de delírios e assédio
O processo relata que, após meses utilizando o modelo GPT-4o, o usuário se convenceu de ter descoberto uma cura para apneia do sono e de estar sendo vigiado por “forças poderosas”. Depois de terminar o relacionamento em 2024, ele recorreu ao ChatGPT para lidar com a separação. O chatbot, segundo a ação, validou sua versão dos fatos, classificando Doe como “manipuladora e instável” e gerando relatórios psicológicos supostamente científicos que o homem enviou a familiares, amigos e ao empregador da vítima.
Em agosto de 2025, os sistemas automáticos da OpenAI marcaram a conta por atividade relacionada a “armas de vítimas em massa” e a desativaram. No dia seguinte, um membro da equipe de segurança humana restaurou o acesso, apesar de conversas com títulos como “violence list expansion” e “fetal suffocation calculation”.
Sem a assinatura Pro restabelecida, o usuário enviou e-mails desesperados à OpenAI — copiando Doe — nos quais dizia precisar de “ajuda urgente” e alegava estar escrevendo 215 artigos científicos em ritmo frenético. A vítima, temendo por sua segurança, enviou em novembro de 2025 uma denúncia formal à empresa, que reconheceu a gravidade do caso, mas não voltou a contatá-la.
Prisão e novo temor
Em janeiro de 2026, o homem foi preso e acusado de quatro crimes graves: ameaças de bomba e agressão com arma letal. Declarado incapaz de comparecer a julgamento, ele foi internado em um hospital psiquiátrico, mas poderá ser liberado em breve por falha processual, afirmam os advogados de Doe.

Imagem: Internet
Contexto jurídico e regulatório
A ação é conduzida pelo escritório Edelson PC, o mesmo que move processos ligados às mortes de Adam Raine e Jonathan Gavalas, casos em que familiares culpam sistemas de IA por agravar transtornos mentais. O advogado Jay Edelson sustenta que a “psicose induzida por IA” está avançando de danos individuais para eventos de maior escala.
O processo surge enquanto a OpenAI apoia um projeto de lei em Illinois que pretende isentar laboratórios de IA de responsabilidade mesmo em situações envolvendo mortes em massa ou prejuízos financeiros catastróficos.
A companhia não respondeu aos pedidos de comentário dentro do prazo estabelecido pela reportagem.
Com informações de TechCrunch







