Às vésperas de concluir uma captação de US$ 100 bilhões, a OpenAI assiste a uma parcela de seus financiadores também participarem da última rodada da Anthropic, que levantou US$ 30 bilhões no início de fevereiro. Pelo menos 12 investidores que já tinham participação direta na OpenAI colocaram recursos na concorrente, entre eles Founders Fund, Iconiq, Insight Partners e Sequoia Capital.
Gestoras com forte presença em mercados públicos, como D1, Fidelity e TPG, também aparecem nas duas empresas, algo considerado mais compreensível por sua atuação diversificada. O movimento, porém, chamou atenção quando fundos ligados à BlackRock entraram no aporte da Anthropic, apesar de Adebayo Ogunlesi, diretor-gerente sênior da BlackRock, ocupar assento no conselho da OpenAI.
Tradição de exclusividade em xeque
No universo de capital de risco, mantém-se a expectativa de que a firma apoie um único competidor direto para evitar conflitos. Startups de capital fechado costumam compartilhar dados sigilosos com seus investidores e, muitas vezes, concedem cadeiras no conselho, o que impõe responsabilidade fiduciária adicional.
Sam Altman, CEO da OpenAI e ex-presidente da Y Combinator, teria informado a seus investidores em 2024 que não desejava vê-los financiando rivais como Anthropic, xAI e Safe Superintelligence. Posteriormente, Altman negou a possibilidade de barrar investidores, mas admitiu que deixaria de fornecer informações confidenciais caso os aportes fossem considerados “não passivos”, conforme documentos do processo movido por Elon Musk contra a OpenAI.
Montantes sem precedentes
As necessidades de capital das maiores empresas de IA cresceram na mesma velocidade que seus centros de dados, abrindo espaço para aportes de magnitude recorde. Frente a retornos potenciais elevados, mesmo firmas tradicionais estão flexibilizando antigas regras de exclusividade.

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Exceções notáveis
Alguns fundos ainda optam por manter foco único. A Andreessen Horowitz investe na OpenAI, mas não na Anthropic; já a Menlo Ventures fez o movimento inverso. Bessemer Venture Partners, General Catalyst e Greenoaks também aparecem comprometidos com apenas uma das duas companhias.
Em meio à nova realidade, especialistas do setor avaliam que políticas de conflito de interesses devem ganhar espaço nas discussões entre fundadores e potenciais investidores antes da assinatura de qualquer acordo.
Com informações de TechCrunch







