Conseguir atendimento ortodôntico gratuito ou a preços reduzidos ainda é um obstáculo para muitas famílias capixabas. Embora o Sistema Único de Saúde (SUS) ofereça serviços odontológicos, o tratamento com aparelho é limitado a poucos centros especializados, com filas de espera extensas.
Alta demanda infantil
Levantamentos nacionais revelam que cerca de 62% das crianças e adolescentes apresentam algum grau de má oclusão — desalinhamento dos dentes ou encaixe inadequado das arcadas. Em estudos com escolares, a prevalência chega a 68%, indicando que a maioria dos menores poderia se beneficiar de avaliação ortodôntica.
Os problemas mais comuns incluem:
- dentes apinhados, por falta de espaço na arcada;
- mordida cruzada, quando os dentes inferiores ficam à frente dos superiores;
- mordida aberta, situação em que os dentes da frente não se tocam ao fechar a boca.
Além do impacto estético, essas alterações podem prejudicar mastigação, fala e articulação da mandíbula. Profissionais recomendam a primeira avaliação por volta dos seis ou sete anos, fase em que dentes de leite e permanentes coexistem e o crescimento ósseo ainda pode ser direcionado.
Prioridades no SUS
O tratamento com aparelho exige consultas frequentes durante meses ou anos, o que demanda estrutura específica. Por isso, as unidades públicas costumam priorizar procedimentos considerados urgentes, como restaurações, canais e extrações, reduzindo a oferta de vagas para ortodontia.
Opções acessíveis
Diante da limitação na rede pública, especialistas sugerem três caminhos principais para quem busca tratamento mais em conta no Espírito Santo:

Imagem: Freepik
- Clínicas-escola de graduação: faculdades de odontologia oferecem atendimento supervisionado por professores. O paciente arca apenas com taxas de material ou custos administrativos.
- Programas de pós-graduação em ortodontia: dentistas já formados atendem sob orientação de docentes. Os valores são inferiores aos de consultórios particulares.
- Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs): integrantes da rede pública, prestam atendimento especializado, inclusive ortodôntico em alguns casos, mediante encaminhamento da Unidade Básica de Saúde.
Universidades costumam abrir triagens no início de cada semestre para selecionar novos pacientes. A recomendação é acompanhar sites e redes sociais das instituições para não perder prazos.
Prevenção começa em casa
Hábitos como uso prolongado de chupeta, sucção de dedo e respiração bucal podem agravar más oclusões. Consultas odontológicas regulares na infância ajudam a identificar essas práticas e a orientar as famílias.
Especialistas destacam que intervenções no momento certo podem simplificar o tratamento, reduzir custos e melhorar a qualidade de vida de crianças e adolescentes.
Com informações de Folha Vitória







