Maior cluster de computação orbital inicia operação comercial e atrai a startup Sophia Space

A Kepler Communications, empresa canadense de telecomunicações espaciais, colocou em órbita em janeiro o que hoje é considerado o maior cluster de computação já lançado ao espaço. A constelação conta com 10 satélites operacionais interligados por links a laser e equipados, ao todo, com 40 processadores Nvidia Orin voltados a aplicações de borda.

Com 18 clientes ativos, a companhia anunciou nesta segunda-feira (13) a chegada de um novo parceiro: a Sophia Space. A jovem empresa vai usar a infraestrutura da Kepler para testar o sistema operacional de seu computador orbital, que utiliza resfriamento passivo – solução apontada como crucial para evitar o superaquecimento de processadores potentes sem recorrer a sistemas ativos mais pesados e caros.

Na parceria, a Sophia fará o upload de seu software para um dos satélites da Kepler e tentará configurá-lo em seis GPUs distribuídas por dois aparelhos. Operações desse tipo são rotineiras em data centers terrestres, mas será a primeira vez que ocorrerão em órbita. O ensaio serve como etapa de redução de riscos antes do primeiro lançamento próprio da Sophia, previsto para o fim de 2027.

Especialistas projetam que data centers espaciais de grande escala, como os concebidos por SpaceX ou Blue Origin, só devam se concretizar na década de 2030. Até lá, o foco é processar no espaço os dados captados por sensores orbitais, reduzindo latência e consumo de energia na transmissão para a Terra.

O diretor-executivo da Kepler, Mina Mitry, explica que a companhia não se vê como um provedor de data center, mas como uma camada de infraestrutura para aplicações em voo. A estratégia inclui atender satélites de terceiros, drones e aeronaves, oferecendo rede e poder de processamento distribuído.

Segundo Mitry, fabricantes de satélites já planejam cargas úteis mais sofisticadas, como radares de abertura sintética, contando com a possibilidade de terceirizar parte do processamento. O modelo interessa especialmente às Forças Armadas dos Estados Unidos, que estudam um novo sistema de defesa contra mísseis baseado em detecção e rastreamento por satélite. A Kepler já demonstrou um link a laser espaço-ar para o governo norte-americano.

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Imagem: Internet

Para Mitry, o valor inicial dos data centers orbitais está no processamento de inferência, realizado por várias GPUs de menor potência operando continuamente, em vez de uma única máquina voltada a treinamentos intermitentes de inteligência artificial. “Se o equipamento consome quilowatts de energia e fica ocioso 90% do tempo, ele não é tão útil. No nosso caso, as GPUs trabalham 100% do tempo”, disse.

Com a tecnologia comprovada em órbita, o mercado enxerga espaço para crescer. Rob DeMillo, presidente da Sophia Space, lembrou que o estado de Wisconsin aprovou na semana passada uma proibição à construção de novos data centers terrestres – proposta que alguns parlamentares federais também defendem. “Sem data centers em terra, as coisas podem ficar bem diferentes a partir de agora”, afirmou.

Com informações de TechCrunch

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