A Hark, laboratório de inteligência artificial criado pelo empreendedor serial Brett Adcock, revelou nesta semana detalhes iniciais de um produto que pretende integrar modelos multimodais, hardware e interface em uma única plataforma de “inteligência pessoal”.
Segundo comunicado da empresa, o sistema terá memória persistente da vida do usuário, capacidade de ouvir, enxergar e interagir em tempo real e será desenvolvido de ponta a ponta — do treinamento dos modelos à fabricação dos dispositivos.
Contratação-chave vinda da Apple
Para liderar o desenho desse ecossistema, a Hark contratou Abidur Chowdhury, ex-designer industrial da Apple responsável pela equipe que criou o iPhone Air e outros modelos recentes. Nascido em Londres, Chowdhury deixou a fabricante de Cupertino no último outono após conhecer Adcock e aderir à proposta de repensar a automação do dia a dia.
Em entrevista exclusiva ao TechCrunch, o designer evitou detalhar o roteiro de produtos, mas adiantou que a primeira versão dos modelos de IA deve ser anunciada no verão norte-americano. “Muito pouca gente está, de fato, perseguindo o que será o futuro”, afirmou. Ele citou como exemplo tarefas corriqueiras — preencher formulários, compartilhar dados entre dispositivos ou planejar viagens — que, segundo ele, poderiam ser totalmente automatizadas.
Visão além dos wearables convencionais
Chowdhury mostrou ceticismo em relação a plataformas de IA vestível, como óculos inteligentes ou pins com câmera. “Não acho adequado colocar uma camada entre as pessoas e as interfaces que usamos no mundo”, disse.
Infraestrutura e equipe
A Hark emprega hoje 45 engenheiros e designers, incluindo ex-pesquisadores da Meta AI e profissionais oriundos de Apple e Tesla. Todos trabalham no mesmo campus que abriga outras empresas de Adcock. Um novo cluster com milhares de GPUs NVIDIA começa a operar em abril para treinar os modelos.
Com US$ 100 milhões de investimento pessoal do fundador, a companhia entra na disputa por talentos no momento em que grandes corporações buscam formatar produtos de IA realmente atraentes para o consumidor.

Imagem: Internet
Sinergia com robótica
Os modelos da Hark já estão sendo testados em robôs humanoides da Figure, outra empresa de Adcock. Fontes próximas negam planos de fusão entre os dois projetos.
Para Adcock, os dispositivos atuais são “pré-IA” e os modelos disponíveis “ainda parecem bem burros”, conforme descreveu em memorando interno de janeiro. A meta é aproximar a experiência do usuário de assistentes fictícios como Jarvis ou da personagem do filme “Ela”.
“Faz tempo que não via uma oportunidade tão grande desde o lançamento do iPhone”, resumiu Chowdhury.
Com informações de TechCrunch







