Washington, 23 de março de 2026 – Emil Michael, hoje alto responsável pela área de tecnologia do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD), afirmou que jamais esquecerá nem perdoará os investidores que pressionaram pela saída dele e de Travis Kalanick da Uber em 2017.
A declaração foi feita em um episódio de podcast conduzido por Joubin Mirzadegan, sócio da Kleiner Perkins, gravado no mês passado e divulgado nesta segunda-feira. Durante a conversa, Michael abordou desde a disputa entre o DoD e a desenvolvedora de inteligência artificial Anthropic até seu desligamento da empresa de transporte por aplicativo.
Saída conturbada da Uber
Questionado se havia sido “colocado para fora” ao lado de Kalanick, o executivo respondeu “efetivamente”. Michael pediu demissão oito dias antes de Kalanick, após investigação interna conduzida pelo ex-procurador-geral Eric Holder sobre denúncias de assédio sexual e discriminação de gênero na Uber. Embora não tenha sido citado nas acusações, o relatório recomendou sua remoção. Kalanick deixou o cargo em seguida, pressionado por acionistas como o fundo Benchmark.
“Nunca vou esquecer, nem perdoar”, disse Michael, acrescentando que, em sua visão, os investidores priorizaram ganhos de curto prazo e comprometeram o projeto de direção autônoma que, para ele e Kalanick, seria o futuro da companhia.
Em 2020, três anos após a saída dos dois executivos, a Uber vendeu sua divisão de veículos autônomos à Aurora em uma operação considerada de liquidação. Hoje, a Waymo opera robotáxis em dez cidades americanas, reacendendo o debate sobre o potencial perdido.
Novo foco em defesa e IA
No Pentágono, Michael ocupa posição central nas negociações com fornecedores de modelos de linguagem. Ele relatou que a Anthropic é um dos poucos provedores aprovados, em parte graças a parcerias com a Palantir, mas acusou a empresa de tentar impor diretrizes adicionais ao já vasto arcabouço regulatório militar.
Segundo o executivo, um relatório da própria Anthropic indicou que companhias chinesas vêm utilizando “destilação” para reproduzir o comportamento de seus modelos. Por causa das leis de fusão civil-militar da China, isso poderia dar ao Exército de Libertação Popular acesso a sistemas equivalentes sem restrições, enquanto o Departamento de Defesa trabalharia com versões limitadas. “Ficaríamos com um braço amarrado”, resumiu.

Imagem: Getty
As negociações fracassaram e, em fevereiro, o secretário de Defesa Pete Hegseth classificou a Anthropic como risco à cadeia de suprimentos. Na semana passada, o governo entrou com petição de 40 páginas na Corte Distrital do Norte da Califórnia, alegando que a empresa poderia desativar ou alterar sua tecnologia em cenário de conflito.
A Anthropic rebateu na sexta-feira, apresentando declarações juramentadas que contestam a tese do governo e afirmam não ser tecnicamente possível manipular o sistema dessa forma. A audiência judicial está marcada para terça-feira, em São Francisco.
Enquanto isso, Kalanick segue investindo em automação: neste mês, revelou a Atoms, empresa de robótica criada em sigilo, e informou ser o maior acionista da Pronto, startup de veículos autônomos para mineração e indústria, que pretende comprar integralmente.
Com informações de TechCrunch







