A instalação da montadora chinesa Great Wall Motor (GWM) no Espírito Santo deve inaugurar uma nova fase na economia do estado, avalia o economista Orlando Caliman, colunista da Folha Business. Segundo ele, a presença da fabricante consolida um processo de integração a cadeias globais de consumo, reduzindo a dependência capixaba de commodities e ampliando a diversificação produtiva.
Novo rumo na estratégia chinesa
Caliman destaca que o movimento da GWM, a exemplo do avanço da BYD na Bahia, faz parte de uma estratégia geoeconômica mais ampla da China. Após a pandemia, os impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia e tensões recentes envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, empresas chinesas buscam diminuir riscos de médio e longo prazos no exterior. O objetivo é garantir fontes estáveis de insumos estratégicos e, simultaneamente, ampliar o acesso a mercados consumidores.
Ao contrário da política norte-americana, descrita pelo especialista como protecionista e marcada por incertezas, Pequim aposta no fortalecimento do mercado interno, no avanço tecnológico e na formação de bases seguras em outros países. Nesse contexto, o Brasil surge como território preferencial, tanto para suprimento de commodities quanto como ponto de distribuição para mercados vizinhos.
Oportunidades para o Espírito Santo
No cenário estadual, o economista vê espaço para estreitar laços com investidores chineses. Ele sugere que o Espírito Santo pode se posicionar como plataforma confiável — e ambientalmente sustentável — para atender ao mercado interno brasileiro e a exportações.
Os números reforçam o potencial de expansão: em 2025, apenas 6% das vendas externas capixabas foram destinadas à China, concentradas principalmente em minério de ferro. Por outro lado, as importações originadas do país asiático alcançaram cerca de US$ 5,3 bilhões, equivalentes a 40% do total comprado pelo estado. Desse montante, US$ 2,78 bilhões corresponderam a veículos e US$ 140 milhões a rochas ornamentais.

Imagem: Internet
Para Caliman, a decisão da GWM de se instalar no Espírito Santo pode abrir caminho para novas empresas chinesas e ampliar as conexões internacionais do estado. “A GWM pode ser o abre-alas”, resume o economista.
Com informações de Folha Vitória






