São Francisco (EUA) – A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) arquivou a investigação que mantinha há cerca de quatro anos sobre a fabricante de veículos elétricos Faraday Future. A companhia e os executivos envolvidos foram informados do encerramento na semana passada, segundo quatro fontes ouvidas sob condição de anonimato.
O processo foi aberto em 2022 para apurar possíveis declarações falsas ou enganosas durante a abertura de capital da empresa, realizada em 2021 por meio de fusão com uma SPAC, e supostas vendas simuladas do utilitário esportivo elétrico FF91 em 2023. Documentos regulatórios mostram que a Faraday Future recebeu diversas intimações, e ex-funcionários e executivos prestaram depoimentos em 2024 e 2025.
Wells Notices sem desfecho
Em julho de 2025, a SEC enviou Wells Notices à Faraday Future, ao fundador Jia Yueting e a outros executivos, indicando recomendação interna para abertura de ação punitiva. A comissão, porém, decidiu não prosseguir. Casos em que o órgão recua após emitir esse tipo de notificação são incomuns; estudo da Wharton School de 2020 aponta que cerca de 85% dos alvos acabam enfrentando processos.
“Agora podemos concentrar toda a energia na execução da estratégia”, declarou Jia neste domingo. A empresa afirmou que a SEC também isentou todos os executivos.
Contexto e impacto
O arquivamento ocorre em meio a queda histórica das iniciativas de fiscalização da SEC, que abriu apenas quatro investigações contra companhias listadas no exercício fiscal de 2025. Outros casos envolvendo startups de veículos elétricos que recorreram a SPACs também foram encerrados, como os da Lucid Motors em 2023 e da Fisker no fim de 2025.
Paralelamente, o Departamento de Justiça solicitou informações à Faraday Future após a abertura do inquérito da SEC, mas nunca confirmou investigação formal.
Trajetória turbulenta
Fundada na Califórnia em 2014, a Faraday Future já empregou cerca de 1.400 pessoas e atraiu profissionais de montadoras tradicionais, da Tesla e da Apple. Após problemas de caixa em 2017, recebeu aporte do conglomerado chinês Evergrande, mas a parceria terminou em 2018.
Jia afastou-se do cargo de CEO em 2019, apresentou pedido de falência pessoal para negociar dívidas da LeEco (antigo grupo de mídia e tecnologia que controlava na China) e continuou influente nos bastidores. Quando a companhia abriu capital em 2021, novos conselheiros criaram um comitê independente que apurou a real participação de Jia e relatou suas conclusões à SEC. Entre janeiro e abril de 2022, Jia foi temporariamente afastado, o então vice-presidente Matthias Aydt – hoje copresidente – ficou em liberdade condicional por seis meses, e o vice Jerry Wang, sobrinho de Jia, foi suspenso e, mais tarde, deixou a empresa.

Imagem: Internet
Os problemas de governança vieram acompanhados de operações financeiras atípicas: antes da fusão com a SPAC, a startup sobreviveu graças a empréstimos de funcionários ligados a Jia, classificados como transações com partes relacionadas.
Situação atual
A Faraday Future entregou as primeiras unidades do FF91 no início de 2023. Desde então, ex-funcionários processam a empresa alegando que não se tratou de vendas reais, ponto que também interessou aos investigadores federais. A companhia tenta ampliar receitas importando vans híbridas e elétricas da China e revendendo robôs fabricados por terceiros. Além disso, converteu uma empresa de biotecnologia listada em bolsa para atuar no setor de criptomoedas.
Na sexta-feira (20), a Nasdaq alertou que o preço da ação da Faraday Future caiu abaixo de US$ 1, patamar que pode levar à exclusão do pregão caso não seja superado.
Com o fim da investigação da SEC, a empresa espera reduzir custos legais e focar na comercialização dos veículos e nas novas linhas de negócios.
Com informações de TechCrunch







