A franquia Resident Evil chega hoje, 22 de março de 2025, ao marco de 30 anos com um histórico que vai além de zumbis e monstros. Ao longo de três décadas, a série da Capcom construiu uma identidade própria ao expor seus protagonistas – principalmente os homens – a perigos corporais contínuos, combinando tensão, erotismo e horror.
Corpos sob ameaça constante
Desde o primeiro jogo, lançado em 1996, cada golpe recebido por Chris Redfield, Jill Valentine ou qualquer outro personagem tem repercussões imediatas – o ferimento reduz velocidade, dificulta a fuga e força o uso de recursos limitados. Essa mecânica, ausente em muitos shooters tradicionais, coloca o corpo no centro da experiência.
A abordagem se intensificou em Resident Evil 4 (2005). Com a câmera próxima ao quadril de Leon S. Kennedy, o jogo passou a exibir em detalhes cortes, tosses e até cenas elaboradas de morte. Jogadores passaram a descobrir diferentes formas de ver o herói ser perfurado, decapitado ou esquartejado, transformando o sofrimento físico em atração paralela.
Erotização da violência
Os roteiros reforçam a ideia de desejo e perigo. Em RE4, Leon é acorrentado ao aliado temporário Luis Sera, criando uma sequência de esforço físico sincronizado antes de ambos se libertarem. Mais adiante, o ex-instrutor Jack Krauser enfrenta Leon em um duelo de facas marcado por proximidade corporal e tensão homoerótica.
No conteúdo adicional “Separate Ways”, Ada Wong surge em vestido de seda vermelho, mas, estatisticamente, a dor recai sobretudo sobre os homens: todos os títulos principais incluem ao menos um protagonista masculino exposto a mutilações, infecções ou transformações virais.

Imagem: Internet
Evolução recente
Resident Evil 9: Requiem, lançado em 2024, mantém a tradição. O jogo recomenda que a campanha de Grace Fielding seja vivida em primeira pessoa, enquanto a de Leon seja acompanhada em terceira, convidando o jogador a observar o agente debilitado por resquícios do T-vírus. Animações detalham cada gemido, tropeço e troca de arma, enquanto o vilão Dr. Victor Gideon chega a acariciar o rosto de Leon ao investigá-lo, evidenciando a carga sensual do momento.
Terror e desejo lado a lado
Ao combinar corpos ideais, danos visíveis e ameaças de metamorfose – o simples arranhão que pode converter um humano em zumbi – Resident Evil sustenta, há 30 anos, a tensão entre repulsa e atração. A série segue explorando esse contraste como parte essencial de sua identidade, renovando-se a cada lançamento sem abrir mão do fascínio por heróis belos que sangram, sofrem e sobrevivem diante do horror.
Com informações de GameSpot






