O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, anunciou nesta quinta-feira, 9 de abril de 2026, a abertura de uma investigação para apurar o possível papel do ChatGPT, da OpenAI, no tiroteio que deixou dois mortos e cinco feridos no campus da Florida State University (FSU) em abril de 2025.
Segundo Uthmeier, há indícios de que o chatbot teria sido usado na preparação do ataque. “A inteligência artificial deve promover a humanidade, não destruí-la. Estamos exigindo respostas sobre as atividades da OpenAI que colocaram crianças em risco, ameaçaram americanos e facilitaram o recente massacre na FSU”, afirmou em comunicado publicado na rede X. O procurador acrescentou, em vídeo, que ordens de intimação serão emitidas nos próximos dias.
Na semana passada, advogados de uma das vítimas sustentaram que o ChatGPT foi empregado pelo atirador para planejar a ação. A família da vítima informou que pretende processar a OpenAI.
Casos semelhantes vêm alimentando temores de “psicose de IA”, condição em que delírios são reforçados por interações com chatbots. Em um episódio citado pelo Wall Street Journal, Stein-Erik Soelberg, que apresentava histórico de problemas mentais, manteve conversas frequentes com o ChatGPT antes de matar a mãe e cometer suicídio no ano passado. Segundo a reportagem, o aplicativo teria reforçado pensamentos paranoicos do usuário.
Procurada, a OpenAI declarou, por meio de porta-voz, que mais de 900 milhões de pessoas utilizam o ChatGPT semanalmente para fins como aprendizado de novas habilidades e navegação em sistemas de saúde. “Nosso trabalho contínuo de segurança é fundamental para oferecer esses benefícios e apoiar pesquisas científicas. Construímos o ChatGPT para entender a intenção das pessoas e responder de forma segura e apropriada, e seguimos aprimorando nossa tecnologia. Cooperaremos com a investigação do procurador-geral”, diz a nota.

Imagem: Internet
A apuração na Flórida soma-se a uma série de contratempos recentes para a OpenAI. Perfil publicado pela The New Yorker nesta semana relatou críticas internas e de investidores à condução da empresa, incluindo a declaração de um executivo da Microsoft que vê “chance pequena, mas real” de o CEO Sam Altman ser lembrado como “um golpista nos moldes de Bernie Madoff ou Sam Bankman-Fried”. Paralelamente, um projeto da companhia no Reino Unido, ligado à iniciativa Stargate, foi suspenso em razão de custos elevados de energia e exigências regulatórias.
Com informações de TechCrunch







