Whoop mira público além de atletas e aposta em monitoramento preventivo de saúde

A Whoop, fabricante de dispositivos vestíveis sediada em Boston e fundada em 2011 por Will Ahmed enquanto cursava o último ano em Harvard, quer deixar de ser vista apenas como ferramenta de alto desempenho esportivo e tornar-se um monitor de saúde capaz de alertar usuários, por exemplo, sobre um possível infarto iminente.

Conhecida por adornar o pulso de astros como LeBron James desde o primeiro ano de operação — além de Michael Phelps, Cristiano Ronaldo, Patrick Mahomes e Rory McIlroy —, a empresa opera hoje em mais de 200 países, despacha oficialmente para 60 mercados e alcançou, segundo Ahmed, crescimento de receita superior a 100% em 2025, além de ter ficado positiva em fluxo de caixa.

Modelo de negócio e adesão

O dispositivo, um sensor sem tela que pode ser usado no pulso, bíceps ou torso, mede sono, recuperação, variabilidade da frequência cardíaca e outros biomarcadores. O acesso é vendido em formato de assinatura anual que inclui o hardware, variando entre US$ 200 e US$ 360. A taxa de engajamento impressiona: 83% dos usuários ativos mensais abrem o aplicativo diariamente, percentual que Ahmed compara ao do WhatsApp.

Novo foco médico

A transição para o monitoramento preventivo já começou. A Whoop ofereceu recursos clinicamente validados como eletrocardiograma (ECG) e detecção de fibrilação atrial, além de blood pressure insights — apontado pela companhia como o primeiro monitoramento de pressão arterial em um vestível. Em 2023, a FDA questionou essa última funcionalidade por considerá-la diagnóstico médico; a Whoop contestou e seguiu desenvolvendo a solução.

Outra iniciativa é a parceria com a Quest Diagnostics, que possui mais de 2 000 unidades nos Estados Unidos. O acordo permite que usuários façam exames de sangue, enviem os resultados diretamente ao app e recebam avaliação de um clínico junto aos dados coletados pelo sensor. Lançado em maio do ano passado, o recurso Health Span, que calcula a idade biológica do usuário, tornou-se o mais popular da plataforma.

Design discreto e linha de roupas

Sem mostrador, contagem de passos ou notificações, o Whoop pode ser escondido em mangas de bíceps, tops ou shorts, estratégia pensada para não concorrer com relógios inteligentes. Apesar disso, a maioria dos clientes usa a pulseira como peça de estilo. A linha de vestuário lançada em 2021 cresceu 70% em 2025, de acordo com o fundador.

Disputa com a Oura

O principal rival é a finlandesa Oura, criadora do anel inteligente homônimo. No modelo da concorrente, o cliente paga cerca de US$ 350 pelo anel e US$ 70 anuais pela assinatura; a taxa de retenção em 12 meses chega à faixa de 80%. Ambas as empresas relatam que o público feminino é o segmento que mais cresce e, em outubro passado, anunciaram parcerias de exames de sangue com apenas um dia de diferença.

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Imagem: Internet

Base esportiva forte

A Whoop ainda é majoritariamente masculina, mas Ahmed indica avanço entre mulheres e equilíbrio de receita entre Estados Unidos e demais países. No tênis, a organização do Australian Open mandou atletas como Carlos Alcaraz removerem a pulseira durante o torneio deste ano, apesar de aprovação da Federação Internacional de Tênis; o pedido gerou resistência dos jogadores. Diferentemente dos embaixadores pagos — caso da número 2 do mundo Aryna Sabalenka —, Alcaraz e Jannik Sinner usam o dispositivo espontaneamente.

A política da companhia veda distribuição de participação acionária em troca de visibilidade entre atletas. Parcerias formais com Ferrari, PGA Tour e UCI Mountain Bike servem para ampliar alcance da marca.

Próximos passos e mercado

Com cerca de 750 funcionários e planos de contratar mais 600, a Whoop observa de perto a possível abertura de capital da Oura, que pode estabelecer métricas de mercado para o setor. Ahmed evita detalhar cronograma para um IPO e afirma que a prioridade é “construir tecnologia de ponta e expandir o negócio”.

Ex-capitão da equipe de squash de Harvard, o executivo de 36 anos recorda que começou a reunir centenas de estudos médicos para resolver um problema pessoal de sobrecarga nos treinos. A Whoop foi seu primeiro e único emprego em tempo integral. Para quem cogita trilha semelhante, ele destaca que o empreendedor precisa “obsessão pelo problema a ser resolvido” e alta tolerância à dor — algo que, diz, costuma ser ofuscado pelo glamour do noticiário de investimentos.

Com informações de TechCrunch

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