O Bluesky anunciou no fim de semana, durante a conferência Atmosphere, o Attie, um aplicativo independente que utiliza inteligência artificial para que qualquer pessoa crie seus próprios algoritmos e feeds personalizados sem precisar programar. A ferramenta, desenvolvida sobre o AT Protocol (atproto), emprega o modelo Claude, da Anthropic, e terá como primeiros usuários os participantes do evento, que atuarão como beta testers.
Apresentação e liderança
O Attie foi apresentado pela ex-CEO e atual diretora de inovação do Bluesky, Jay Graber, ao lado do CTO Paul Frazee. Segundo o CEO interino Toni Schneider — também sócio da True Ventures, investidora da empresa —, trata-se de um produto totalmente separado do aplicativo principal da rede social e o primeiro criado pela nova equipe comandada por Graber.
Como funciona o Attie
Para utilizar o serviço, o usuário faz login com suas credenciais Atmosphere, válidas para qualquer aplicativo baseado no atproto, inclusive o próprio Bluesky. Por operar em sistema aberto e descentralizado, o Attie acessa imediatamente dados sobre interesses e interações do usuário em outras aplicações da rede.
Por meio de comandos em linguagem natural, o assistente responde a perguntas, sugere publicações para curtir ou repostar e gera um feed totalmente ajustado às preferências individuais. “Você controla e molda tudo sem escrever uma linha de código”, afirmou Schneider.
Próximos passos
Nesta fase inicial, o Attie serve para criar e visualizar feeds; posteriormente, esses conteúdos poderão ser incorporados ao Bluesky ou a qualquer app compatível com o protocolo. A expectativa é que, no futuro, os usuários consigam “vibe-codar” — termo usado pela empresa — suas próprias aplicações sociais e desenvolver ferramentas para terceiros.
Foco no usuário e financiamento
Graber destacou que, diferentemente de grandes plataformas que utilizam IA para aumentar o tempo de uso e coletar dados, o objetivo do Attie é “colocar o poder nas mãos das pessoas”. A mudança de função da executiva coincidiu com o início do projeto há alguns meses, quando ela decidiu voltar a se concentrar na construção de produtos.
O Bluesky divulgou ainda ter recebido US$ 100 milhões em uma rodada concluída no ano passado, o que garante mais de três anos de operação, segundo Schneider. Entre os desafios apontados estão a inclusão de controles de privacidade no protocolo e a definição de um modelo de receita para a rede, que soma 43,4 milhões de usuários.

Imagem: Getty
Monetização e ausência de criptomoedas
Apesar de contar com investidores ligados ao setor cripto, Schneider assegurou que não há planos de integrar ativos digitais à plataforma. Estão em estudo alternativas como assinaturas e serviços de hospedagem para comunidades que queiram operar no protocolo. A cobrança pelo Attie também não foi definida; por enquanto, o aplicativo permanece em beta fechado.
Visão de ecossistema aberto
Comparando o Atmosphere ao WordPress — plataforma que ajudou a administrar na Automattic —, Schneider vê potencial para um grande ecossistema descentralizado de aplicativos e serviços baseados no atproto, nos moldes do que movimenta bilhões de dólares anualmente no universo WordPress.
O Attie marca, assim, o primeiro passo do Bluesky para levar recursos de inteligência artificial diretamente aos usuários, reforçando a proposta de descentralização e controle individual sobre algoritmos e experiências sociais.
Com informações de TechCrunch







