Aos 40 anos, Ubisoft relembra conquistas e encara incertezas no mercado de games

A Ubisoft comemora nesta sexta-feira, 28 de março de 2025, quatro décadas de existência. A data marca a trajetória de uma desenvolvedora que ajudou a definir padrões da indústria, mas que hoje tenta se reposicionar diante de disputas internas, escândalos e nova concorrência.

Do Amstrad CPC ao topo das prateleiras

Fundada pelos irmãos Guillemot, a então Ubi Soft estreou em 1986 com Zombi, aventura em primeira pessoa lançada para o microcomputador Amstrad CPC. O jogo, inspirado no filme “Madrugada dos Mortos”, ganhou atenção modesta, porém abriu caminho para a expansão do estúdio.

O primeiro grande sucesso veio em 1995, com Rayman. Três anos depois, a empresa já operava em França, China, Itália e Canadá. A aposta em modelos gratuitos ajudou a conquistar o mercado norte-americano, elevando lucros e permitindo a aquisição dos direitos sobre as obras do escritor Tom Clancy — base de marcas como Rainbow Six, Ghost Recon e Splinter Cell.

Mudança de nome e era dos mundos abertos

Em 2003, a companhia adotou a grafia atual, Ubisoft, acompanhada do logotipo em espiral. A lista de franquias cresceu com Far Cry, Prince of Persia e, em 2007, Assassin’s Creed, título que se tornou símbolo dos jogos AAA da geração PlayStation 3/Xbox 360 graças a gráficos avançados, parkour fluido e mapas repletos de atividades.

O modelo de mundo aberto, entretanto, esgotou-se com lançamentos anuais da série. Em 2014, dois capítulos saíram no mesmo ano, e Unity ficou marcado por inúmeros bugs. Mesmo após a reformulação iniciada em Origins, a recepção esfriou.

Concorrência e tropeços recentes

Enquanto títulos da Rockstar, da FromSoftware e da Guerrilla aprimoravam a experiência em mundo aberto, jogos da Ubisoft como Far Cry e Watch Dogs enfrentaram avaliações mistas. A transição para serviços on-line, exemplificada por The Division (2016) e sua continuação, intensificou a competição com gigantes como Fortnite, Apex e Destiny.

Em paralelo, uma tentativa de aquisição pela Vivendi terminou abortada, vendas caíram e a empresa passou a lidar com o descrédito do público diante de fórmulas repetitivas.

Crise interna e impacto financeiro

A partir de 2020, denúncias de assédio sexual atingiram executivos de alto escalão. Investigações internas apontaram que reclamações antigas haviam sido ignoradas por conta do desempenho financeiro dos acusados. O episódio resultou em processos, saídas de funcionários e revisão da cultura corporativa. Desde então, cancelamentos de projetos e demissões têm repercutido mais do que novos lançamentos.

Próximos passos

Mesmo com projetos em andamento — como Star Wars: Outlaws, Prince of Persia: The Lost Crown e Assassin’s Creed Shadows —, analistas questionam se a Ubisoft conseguirá repetir o ciclo de inovações que marcou seus primeiros 40 anos.

O aniversário, que poderia celebrar a longevidade rara no setor, ocorre em meio a dúvidas sobre a capacidade da empresa de se reinventar em um mercado onde nem mesmo os maiores estúdios estão a salvo de quedas.

Com informações de GameSpot

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