Cofundador da True Ventures prevê fim do smartphone tradicional em até dez anos

São Francisco (EUA) – Para Jon Callaghan, cofundador da gestora de capital de risco True Ventures, os telefones que hoje carregamos no bolso deixarão de ser o principal ponto de contato com a tecnologia em um horizonte de cinco a dez anos.

“Não estaremos usando iPhones da forma como usamos hoje em dez anos; talvez nem em cinco”, afirmou o investidor, que há duas décadas aposta em empresas como Fitbit, Ring, Peloton, HashiCorp e Duo Security.

Foco em novas interfaces

Callaghan considera os smartphones ineficientes como interface entre pessoas e inteligência artificial. “Tirá-los do bolso para digitar mensagens ou e-mails interrompe a rotina e é propenso a erros”, justificou.

Com esse argumento, a True Ventures há anos direciona recursos para alternativas de hardware e software que tornem a interação mais natural. O exemplo mais recente é a Sandbar, start-up que desenvolveu um anel de voz para o dedo indicador, batizado de Stream. O dispositivo funciona como “companheiro de pensamentos”: ao acionar por voz, grava e organiza ideias em um aplicativo apoiado por IA.

Fundada por Mina Fahmi e Kirak Hong – que trabalharam juntos em interfaces neurais na CTRL-Labs, vendida à Meta em 2019 – a Sandbar recebeu aporte da True pela convergência de visão: “É sobre o comportamento que o anel permite, não sobre o anel em si”, destacou Callaghan.

Tese validada por histórico de saídas

A gestora administra aproximadamente US$ 6 bilhões distribuídos em 12 fundos seed e quatro veículos de oportunidades. Ao longo de 20 anos, montou um portfólio de cerca de 300 empresas, contabilizando 63 saídas lucrativas e sete aberturas de capital. No quarto trimestre de 2025, três das quatro vendas realizadas envolveram fundadores que já haviam trabalhado com a casa anteriormente.

Apesar da onda de megainvestimentos em inteligência artificial, a True mantém cheques de US$ 3 milhões a US$ 6 milhões em rodada seed, buscando entre 15% e 20% de participação. “Não precisamos levantar bilhões para construir algo incrível”, disse o executivo.

Mercado em transição

A convicção de Callaghan é reforçada pelos números: enquanto o mercado global de smartphones cresce cerca de 2% ao ano, o segmento de wearables – relógios, anéis e dispositivos ativados por voz – avança a taxas de dois dígitos. Para o investidor, o maior valor a ser gerado na atual onda de IA está na camada de aplicações, onde novos formatos de interação devem criar comportamentos inéditos.

Com um histórico de acertos em hardware que muitos duvidaram, a True Ventures aposta que a substituição do celular tradicional é apenas questão de tempo.

Com informações de TechCrunch

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