Sistema Cantareira registra menor volume em setembro nos últimos dez anos

20 de setembro de 2025 – São Paulo (SP) – O Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, opera hoje com 29,7 % de sua capacidade total, o índice mais baixo para um mês de setembro desde 2015.

Reservatórios expostos

Nos cinco reservatórios que formam o sistema – entre eles a Represa Jaguari, em Joanópolis – a falta de chuvas deixa áreas onde antes havia água completamente secas. O nível do espelho d’água recuou cerca de 50 metros em alguns pontos, expondo solo rachado e estruturas antes submersas.

Moradores relatam apreensão. O marinheiro Bill Araújo descreve que o nível “cai dia após dia”, enquanto a aposentada Gonçala Maria de Lima diz ter ficado surpresa ao ver as netas com dificuldade para usar o caiaque na represa.

Impacto no abastecimento

Uma resolução de 2017 da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) determina restrições quando o volume fica abaixo de 30 %. Com o patamar atual, a retirada de água será reduzida a partir de outubro. A pressão nas redes, que vinha sendo diminuída das 21h às 5h, passará a ser aliviada duas horas mais cedo, começando às 19h.

Na Vila Maria Alta, zona norte da capital, o representante comercial Sérgio Ricardo Tadeu da Silva afirma que a queda de pressão já dificulta tarefas domésticas à noite.

Órgãos reguladores e operadora do sistema

Thiago Mesquita, presidente da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), atribui o cenário a um setembro “muito mais seco do que o previsto” e à menor adesão da população às campanhas de uso consciente.

Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), não há, por ora, risco de desabastecimento. A diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade, Samanta Souza, lembra que o período úmido, de 1.º de outubro a 31 de março, costuma elevar os níveis dos mananciais.

Cuidados com o solo

Para o pesquisador do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), Alexandre Uezu, a crise hídrica não se explica apenas pela falta de chuva. Ele defende a recuperação de áreas de preservação permanente e melhorias no uso do solo para favorecer a infiltração de água e reduzir a vulnerabilidade às variações climáticas.

O Sistema Cantareira atende cerca de 9 milhões de habitantes da Grande São Paulo.

Com informações de g1.globo.com

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