Microsoft apresentou na quarta-feira (29) resultados trimestrais com receita de US$ 81,3 bilhões, aumento de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior, e lucro líquido de US$ 38,3 bilhões, alta de 21%. A receita da divisão de nuvem ultrapassou US$ 50 bilhões, recorde histórico para a companhia.
No dia seguinte, porém, as ações recuaram, refletindo a preocupação de investidores com o volume de investimentos em infraestrutura para inteligência artificial. Somente na primeira metade do atual ano fiscal, a empresa já desembolsou US$ 72,4 bilhões em despesas de capital, quase igualando os US$ 88,2 bilhões gastos em todo o exercício anterior.
Grande parte desse valor financia data centers destinados a atender laboratórios de IA, como OpenAI e Anthropic, além de clientes corporativos. Mesmo assim, o crescimento abaixo do esperado em Azure e nos aplicativos Microsoft 365 gerou receio no mercado. “O fato de ambos os segmentos terem ficado um pouco aquém é o principal ponto negativo que ouvimos”, escreveu o analista Karl Keirstead, do UBS, que mantém recomendação de compra para as ações.
Durante a teleconferência, o CEO Satya Nadella destacou métricas de adoção do Copilot para justificar o aumento dos investimentos. Segundo ele, o número diário de usuários das versões de consumo do assistente — que abrange chat, feed de notícias, busca, navegação, compras e funções no sistema operacional — triplicou em um ano. A companhia não divulgou o total de usuários; no relatório anual anterior, indicou mais de 100 milhões de usuários mensais, somando clientes corporativos e consumidores.
No segmento de desenvolvimento, o GitHub Copilot atingiu 4,7 milhões de assinantes pagantes, avanço de 75% em relação ao ano anterior. Há um ano, o serviço contava com 20 milhões de usuários ao incluir o plano gratuito.
Para empresas, o Microsoft 365 Copilot soma 15 milhões de licenças pagas dentro de uma base de 450 milhões de assinaturas do pacote de produtividade.

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Nadella também citou o Dragon Copilot, voltado ao setor de saúde. O agente de IA já está disponível para 100 mil profissionais de medicina e foi usado para registrar 21 milhões de atendimentos no trimestre, três vezes mais que no mesmo período do ano passado.
O executivo e a diretora financeira Amy Hood afirmaram que a demanda por serviços de IA supera a capacidade atual dos data centers, e que os novos equipamentos já estão reservados para toda a sua vida útil.
Com informações de TechCrunch





