A limitada reação de governos e organismos multilaterais à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de enviar tropas a Caracas para capturar o chefe de Estado venezuelano, Nicolás Maduro, e promover uma mudança de regime provoca alerta entre diplomatas e analistas sobre possíveis impactos na ordem internacional.
Trump voltou à Casa Branca há quase um ano e, desde então, conduz uma intensa guerra comercial que vem remodelando cadeias produtivas e pressionando economias em vários continentes. A operação militar na Venezuela ocorre sete anos depois da tentativa fracassada de 2019, quando Washington tentou emplacar o então presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, mas recuou diante do envio de aviões russos com armas e assessores militares para apoiar Maduro.
Reações de Moscou, Pequim e Bruxelas
Desta vez, o Kremlin se mostra menos disposto a contestar a ação norte-americana, preso a seu envolvimento no conflito da Ucrânia. A China, alvo central das recentes tarifas impostas por Washington, limitou-se a protestos formais e vê na crise uma oportunidade de avançar seus próprios planos em relação a Taiwan.
A União Europeia, cujos membros mantêm histórico de críticas ao governo venezuelano, declarou apenas que “acompanha com atenção” os desdobramentos em Caracas. Já as Nações Unidas classificaram a intervenção como motivo de “profunda preocupação”.
Risco à arquitetura pós-Segunda Guerra
Especialistas ouvidos por diplomatas alertam que a ausência de contestação firme pode enfraquecer a estrutura de regras multilaterais construída após 1945. Segundo essas avaliações, a liberdade de ação de Trump encoraja futuras iniciativas unilaterais, como a anunciada intenção de anexar a Groenlândia ou a repetida reivindicação de transformar o Canadá no 51º Estado norte-americano.

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Analistas também veem espaço para que Washington utilize justificativas semelhantes — como o combate ao narcotráfico invocado contra Maduro — para intervir em países africanos ou assumir o controle do Canal do Panamá.
Sem uma resposta mais contundente de capitais estrangeiras ou de organismos internacionais, cresce a percepção de que o presidente dos EUA poderá agir acima de outras nações e instituições, inaugurando uma fase marcada por intervenções unilaterais e questionamentos à soberania de Estados independentes.
Com informações de Valor Econômico







