Durante entrevista na SXSW, em Austin, nesta quarta-feira (18/03/2026), Carl Pei, cofundador e CEO da Nothing, declarou que os aplicativos tradicionais de smartphone devem desaparecer nos próximos anos, cedendo lugar a agentes de inteligência artificial capazes de executar tarefas sem comandos manuais.
“Os apps vão sumir. Se o valor central do seu negócio está em um aplicativo, ele será inevitavelmente disruptado”, afirmou o executivo, cuja empresa fabrica smartphones e acessórios com design diferenciado.
Visão de um dispositivo “IA-first”
Pei já havia apresentado a ideia de um aparelho centrado em IA ao captar US$ 200 milhões na rodada Série C, no ano passado. Na SXSW, ele detalhou três estágios para chegar a esse modelo:
1. Execução de comandos: funções que reservam voos ou hotéis automaticamente — etapa que o CEO considera “super entediante”.
2. Aprendizado de objetivos: o sistema passa a entender metas de longo prazo, como incentivar hábitos saudáveis, enviando alertas personalizados.
3. Antecipação de necessidades: a IA sugere ações antes mesmo de o usuário formular um pedido, comparável ao recurso de memória do ChatGPT.
Para Pei, o celular ideal tomaria decisões em nome do usuário: “Se conheço sua intenção, simplesmente faço, sem que você precise abrir vários apps”.
Crítica ao modelo atual
O executivo considera a experiência de uso dos smartphones “pré-iPhone”, limitada a telas de bloqueio, telas iniciais e lojas de aplicativos. Ele citou o exemplo de marcar um café com um amigo, tarefa que exige navegação por quatro aplicativos diferentes (mensagens, mapas, transporte e agenda).

Imagem: Internet
Interface pensada para máquinas
Pei defende a criação de uma interface dirigida ao agente de IA, não ao toque humano. Embora reconheça que os aplicativos continuarão existindo no curto prazo — o Nothing OS permite até que usuários criem miniapps com “código de vibração” —, ele acredita que a verdadeira evolução será um sistema no qual a IA interaja diretamente com os serviços, sem “tocar” em menus e botões virtuais.
A Nothing não revelou prazos para lançar um dispositivo totalmente baseado nessa proposta, mas Pei reforçou que essa é a direção estratégica da companhia.
Com informações de TechCrunch







