Nanotecnologia ativada por luz promete tratamento de câncer mais preciso e menos agressivo

Pesquisadores da New York University Abu Dhabi anunciaram em 29 de janeiro de 2026 o desenvolvimento de uma nanotecnologia que utiliza luz para diagnosticar e destruir células tumorais, oferecendo uma possível alternativa à quimioterapia, radioterapia e cirurgia.

O trabalho, publicado na revista Cell Reports Physical Science sob o título “Tumor-targeted hydroxyapatite nanoparticles for near-infrared II light-mediated dual-mode diagnostic imaging and photothermal cancer therapy”, aprimora a chamada terapia fototérmica. Nessa abordagem, luz é convertida em calor dentro do tumor, provocando a morte das células cancerígenas.

No novo método, a equipe projetou nanopartículas biodegradáveis de hidroxiapatita – mineral presente em ossos e dentes – capazes de levar um corante sensível à luz infravermelha próxima (NIR II). Ao serem iluminadas, essas partículas aquecem seletivamente o tecido tumoral, reduzindo danos às células saudáveis. A escolha da luz NIR II permite atingir tumores localizados em regiões mais profundas do corpo, já que esse comprimento de onda atravessa tecidos com mais eficiência do que a luz visível.

Para prolongar a circulação no sangue e evitar a detecção pelo sistema imunológico, as nanopartículas foram revestidas com lipídios e polímeros. Um peptídeo presente em sua superfície torna-se ativo no ambiente ligeiramente ácido típico dos tumores, facilitando a entrada nas células cancerígenas e limitando a interação com tecidos saudáveis.

Segundo os autores, as partículas mantêm alta estabilidade, protegem o corante contra degradação e se acumulam de forma eficiente nos tumores. Quando ativadas pela luz NIR II, geram calor localizado suficiente para destruir o tecido canceroso e emitem sinais fluorescentes e térmicos que permitem acompanhar, em tempo real, a localização do tumor e os efeitos do tratamento.

“Nosso sistema reúne diagnóstico e terapia em uma plataforma biocompatível e biodegradável”, afirmou Mazin Magzoub, professor associado de Biologia na NYU Abu Dhabi e autor sênior do estudo. “Ao superar obstáculos de entrega de agentes terapêuticos ao tumor, essa abordagem pode aumentar a precisão no combate ao câncer.”

Os resultados indicam que a nova nanopartícula tem potencial para integrar detecção e tratamento em um único procedimento, avançando rumo a terapias oncológicas baseadas em luz mais seguras e eficazes.

Com informações de Nanowerk

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