São Francisco (EUA) – A startup francesa de inteligência artificial Mistral anunciou nesta terça-feira (17) o Mistral Forge, plataforma que possibilita a organizações públicas e privadas criar modelos de IA totalmente personalizados a partir de seus próprios repositórios de dados. A novidade foi apresentada durante a Nvidia GTC, conferência anual que neste ano destaca aplicações corporativas de IA.
Segundo a chefe de produto Elisa Salamanca, o objetivo é oferecer às empresas “controle total” sobre os sistemas desenvolvidos, eliminando a dependência de modelos treinados principalmente com conteúdo público da internet. “O Forge permite que cada cliente ajuste o modelo às suas necessidades específicas”, afirmou.
Diferentemente de soluções que apenas fazem fine-tuning ou utilizam técnicas de recuperação de informações (RAG), o Forge promete treinamento do zero. Na prática, isso deve viabilizar melhor desempenho em idiomas menos comuns, setores altamente especializados e cenários que exijam governança rígida ou agentes autônomos treinados por reforço.
A plataforma apoia-se na biblioteca de modelos de código aberto da Mistral, que inclui versões compactas como a recém-lançada Mistral Small 4. De acordo com o cofundador e diretor de tecnologia, Timothée Lacroix, a personalização compensa as limitações naturais dos modelos menores, permitindo priorizar competências relevantes ao negócio.
A escolha da infraestrutura e do modelo continua nas mãos do cliente, mas a Mistral fornece orientação e uma equipe de forward-deployed engineers que trabalha dentro das empresas para selecionar dados, criar pipelines de dados sintéticos e estruturar métricas de avaliação.
Parceiros como Ericsson, Agência Espacial Europeia (ESA), a consultoria italiana Reply e os órgãos singapurianos DSO e HTX já têm acesso antecipado ao Forge. Entre os primeiros usuários está a fabricante de chips holandesa ASML, que liderou a rodada Série C da Mistral em setembro passado, avaliando a companhia em € 11,7 bilhões (cerca de US$ 13,8 bilhões na época).

Imagem: Thomas Fuller/Nur
O diretor de receita, Marjorie Janiewicz, lista os principais casos de uso: governos que precisam adaptar modelos a idioma e cultura locais, instituições financeiras com exigências de conformidade, indústrias que demandam configurações específicas e empresas de tecnologia interessadas em treinar modelos com seu próprio código.
Focada no mercado corporativo, a Mistral projeta ultrapassar US$ 1 bilhão em receita anual recorrente ainda em 2026, segundo o presidente-executivo Arthur Mensch.
Com informações de TechCrunch







