Um grupo de pesquisadores da Universidade de Tóquio apresentou, em 28 de janeiro de 2026, uma nova técnica capaz de diminuir consideravelmente as incertezas na análise da birrefringência cósmica — leve rotação observada na polarização da radiação cósmica de fundo (CMB). O estudo foi publicado na revista Physical Review Letters.
Coordenada pelo doutorando Fumihiro Naokawa, com participação do professor associado Toshiya Namikawa, a equipe examinou a ambiguidade de fase de 180 graus que dificulta determinar o valor exato do ângulo de rotação da polarização. Até então, medições apontavam para cerca de 0,3 grau, mas o novo trabalho indica que o valor pode ser maior.
Os cientistas descobriram que detalhes sutis no sinal de correlação EB da CMB guardam pistas sobre quantas rotações a luz sofreu desde o Big Bang. Ao explorar essa informação, o método elimina a necessidade de assumir apenas uma possibilidade entre múltiplas que se repetem a cada 180 graus.
A pesquisa também revela que, ao considerar a ambiguidade de fase, a birrefringência afeta não só a correlação EB, mas também a correlação EE — parâmetro-chave para estimar a profundidade óptica do Universo e investigar o período de reionização. Esse resultado pode levar a revisões em medições anteriores dessa profundidade.
A nova abordagem deverá auxiliar futuras missões de alta precisão, como o Simons Observatory e o satélite LiteBIRD, destinadas a testar teorias que buscam explicar a violação de paridade no Universo, a matéria escura e a energia escura.

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Em artigo separado, também na Physical Review Letters, Naokawa descreveu um procedimento para minimizar erros instrumentais em observações de birrefringência cósmica, utilizando radiogaláxias alimentadas por buracos negros supermassivos como fontes de verificação.
Com informações de Nanowerk







