Inteligência artificial cria enzimas sob medida mais rápidas e estáveis, diz estudo

Graz, Áustria – 22 de janeiro de 2026. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Graz (TU Graz) e da Universidade de Graz apresentou um novo método de inteligência artificial que permite projetar enzimas personalizadas com desempenho superior ao de catalisadores artificiais já existentes.

O que há de novo

A abordagem, batizada de Riff-Diff (Rotamer Inverted Fragment Finder-Diffusion), foi descrita na revista Nature. Diferentemente das técnicas tradicionais, que buscam em bases de dados uma estrutura de proteína compatível com o centro ativo desejado, o Riff-Diff constrói toda a proteína a partir do zero ao redor desse centro.

Como funciona

A plataforma combina modelos generativos de aprendizado de máquina com simulações atômicas. Primeiro são posicionados motivos estruturais próximos ao sítio catalítico; em seguida, o modelo RFdiffusion gera a cadeia proteica completa. Outros algoritmos refinam sucessivamente o andaime até que os elementos químicos ativos fiquem no local exato, com precisão na escala de angstrom (0,1 nanômetro).

Resultados em laboratório

De 35 sequências testadas, todas originaram enzimas ativas para diferentes tipos de reação. Os novos biocatalisadores demonstraram velocidade superior às versões projetadas anteriormente e mantiveram a forma funcional em temperaturas de 90 °C ou mais, requisito importante para uso industrial.

Declarações dos pesquisadores

“Agora podemos conceber enzimas em um processo único, eficiente e preciso, sem precisar fazer buscas extensas em bases de dados”, afirmou Gustav Oberdorfer, que lidera o grupo de pesquisa na TU Graz e teve apoio do projeto europeu HELIXMOLD.

Para Markus Braun, primeiro autor do artigo, a novidade “reduz drasticamente o esforço de triagem e otimização” e torna o design enzimático mais acessível a toda a comunidade de biotecnologia.

Adrian Tripp, também autor principal, ressaltou que o método “encurta o tempo que a evolução natural levaria” para gerar novas enzimas, o que pode tornar processos industriais mais sustentáveis, favorecer terapias enzimáticas direcionadas e contribuir para a proteção ambiental.

Mélanie Hall, da Universidade de Graz, destacou que a colaboração entre química orgânica, ciência de proteínas e biotecnologia foi decisiva para o avanço.

Com informações de Nanowerk

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