A varejista de moda H&M firmou parceria com a Rubi, startup que desenvolveu um processo capaz de transformar dióxido de carbono capturado em celulose para a produção de lyocell e viscose, dois dos tecidos mais usados pela indústria do vestuário.
De acordo com a cofundadora e CEO Neeka Mashouf, a tecnologia emprega uma cascata de enzimas, reproduzindo fora das células o mesmo mecanismo biológico que gera celulose na natureza. Diferentemente de soluções que dependem de bactérias modificadas ou de catalisadores químicos, o método da Rubi utiliza CO₂ como principal matéria-prima e pode ser integrado a qualquer empresa que necessite do polímero.
Rodada de investimento e escala piloto
Para construir uma planta de demonstração com capacidade de produzir dezenas de toneladas de material, a empresa arrecadou US$ 7,5 milhões em uma rodada liderada pelos fundos AP Ventures e FH One Investments, com participação de CMPC Ventures, H&M Group, Talis Capital e Understorey Ventures.
Ao todo, a Rubi já assinou cartas de intenção de compra que somam mais de US$ 60 milhões e testou seus produtos com 15 parceiros-piloto, entre eles H&M, Patagonia e Walmart.
Processo em módulos conteinerizados
No sistema atual, as enzimas permanecem em solução aquosa dentro de reatores do tamanho de contêineres marítimos. Quando o CO₂ é injetado, a celulose branca precipita em poucos minutos. A companhia pretende, futuramente, adotar um modelo de produção contínua.

Imagem: Internet
Custos e cadeia de suprimentos
Segundo Mashouf, a indústria de enzimas já possui escala para atender à demanda e oferece custos competitivos, sendo amplamente utilizada em setores como xarope de milho de alta frutose e tratamento de efluentes. Hoje, a maior parte da celulose têxtil vem de árvores — inclusive de plantações em áreas de floresta primária —, o que alonga a cadeia de fornecimento. A Rubi vê oportunidade de gerar polpa de celulose de grau têxtil nos Estados Unidos, onde esse insumo praticamente não existe.
Embora o foco inicial seja a moda, a startup planeja disponibilizar o material a outros segmentos que utilizam celulose, posicionando sua plataforma como solução de baixo custo para a produção de diversos químicos e materiais.
Com informações de TechCrunch







