O mercado de fundos de investimento imobiliário (FIIs) fecha 2025 em um estágio mais maduro, marcado por maior escala, eficiência operacional e exigência de governança. O diagnóstico consta do “Report anual de FIIs 2025”, elaborado pela B3 com dados de mercado e entrevistas com as principais gestoras do segmento.
Volume e número de cotistas crescem
Segundo o levantamento, a categoria se aproxima de três milhões de cotistas, reforçando a popularização dos FIIs como porta de entrada para a renda variável entre pequenos investidores. A liquidez acompanha a expansão: o volume médio diário negociado (ADTV) supera R$ 300 milhões. O estoque total – soma do valor de mercado de todos os fundos listados – atinge cerca de R$ 183 bilhões.
O relatório atribui o avanço a três fatores: acesso facilitado pelas plataformas digitais, isenção de Imposto de Renda sobre rendimentos para pessoas físicas e aumento da educação financeira.
Fundos mais negociados em 12 meses
A lista de FIIs com maior giro diário no último ano mostra diversidade de estratégias:
- CPLG11 (logística): R$ 10,3 milhões/dia
- MXRF11 (recebíveis imobiliários): R$ 9,5 milhões/dia
- XPML11 (shoppings): R$ 8,9 milhões/dia
- CPUR11 (renda urbana): R$ 8,6 milhões/dia
- HGLG11 (logística): R$ 7,6 milhões/dia
Gestoras apontam início dos “FIIs 2.0”
Para a gestora Patria, o setor vive uma transição estrutural após anos de expansão no número de fundos e casas de gestão. No novo ciclo de consolidação, veículos menores, com pouca liquidez e custos fixos elevados, tendem a perder espaço. Fundos patrimonialmente maiores despontam com vantagens como acesso a capital mais barato, poder de negociação com locatários e capacidade de crescimento por aquisições.
A gestora compara o cenário brasileiro ao dos Estados Unidos: desde 1960, mais de 800 REITs foram criados; hoje restam menos de 200, todos de grande porte e alta liquidez. Aproximadamente 170 milhões de americanos têm exposição ao mercado imobiliário listado, direta ou indiretamente, segundo a associação Nareit.

Imagem: Internet
Primeiro FII brasileiro entra em índice global
A Hedge Investments destaca no relatório a inclusão do HGBS11, fundo de shoppings, no FTSE Global All-Cap. É a primeira vez que um FII nacional integra um índice internacional, movimento que pode ampliar o interesse de investidores estrangeiros pelos produtos brasileiros.
Excesso de informação vira obstáculo
Do ponto de vista da educação financeira, o Clube FII chama atenção para o “paradoxo da informação”. Se antes faltavam dados, hoje o investidor se depara com abundância de conteúdos, rankings e recomendações, o que pode levar a decisões baseadas em informações sensacionalistas e não em fundamentos.
Com liquidez crescente, inclusão em índices globais e processo de consolidação em curso, os fundos imobiliários brasileiros iniciam 2026 com um perfil mais robusto e competitivo, alinhado às exigências de um público cada vez mais numeroso e informado.
Com informações de Valor Investe







