Falta de energia adia projetos de data centers e transforma setor elétrico em novo alvo de investidores de IA

O gargalo no fornecimento de eletricidade está retardando até metade dos novos data centers anunciados em todo o mundo e pode se tornar a aposta mais lucrativa para quem investe em inteligência artificial. A conclusão é de um relatório da Sightline Climate, que mapeou 190 gigawatts (GW) em projetos de centros de dados: somente 5 GW estão em construção e outros 6 GW foram concluídos no ano passado, enquanto cerca de 36% dos empreendimentos tiveram o cronograma adiado para 2025.

Com o consumo de energia dos data centers projetado para crescer 175% até 2030, segundo o Goldman Sachs, gigantes como Google, Meta, Amazon e Oracle intensificam iniciativas para reduzir a dependência da rede pública. Parte desses planos envolve usinas próprias ou modelos híbridos — menos de um quarto das instalações que já definiram fonte de energia optará por soluções no local ou combinadas, mas essas representam 44% da capacidade total em desenvolvimento.

Investimentos migram para geração e armazenamento

A escassez de geração e o envelhecimento da rede, agravados pela falta de turbinas a gás, abriram espaço para alternativas como solar, eólica e até nuclear. O Google, por exemplo, vai abastecer um futuro data center em Minnesota com um sistema que combina essas fontes a uma bateria de 30 gigawatt-hora (GWh) da Form Energy, desenvolvida para fornecer até 100 horas contínuas de eletricidade. A companhia também negociou com a concessionária Xcel Energy uma nova estrutura tarifária que acelera a adoção de tecnologias emergentes.

As oportunidades se estendem a dezenas de startups. Amperesand, DG Matrix e Heron Power desenvolvem conversores de energia mais eficientes, enquanto Camus, GridBeyond e Texture criam softwares de gerenciamento do fluxo de eletricidade. No campo do armazenamento, os Estados Unidos devem alcançar quase 65 GW de capacidade em baterias de grande porte até o fim deste ano, de acordo com a Administração de Informação de Energia (EIA). De olho nesse mercado, a Form Energy prepara uma captação de US$ 500 milhões antes de abrir capital.

Transformadores em renovação

Outro ponto crítico é a transformação de tensão dentro dos data centers. Os transformadores tradicionais, feitos de ferro e cobre, têm mais de 140 anos de tecnologia e ocupam espaço demais conforme aumenta a densidade de servidores. Startups de transformadores de estado sólido, baseados em eletrônica de potência de silício, seduzem investidores por prometerem equipamentos mais compactos e capazes de substituir vários dispositivos convencionais, compensando o preço mais alto.

Falta de energia adia projetos de data centers e transforma setor elétrico em novo alvo de investidores de IA - Imagem do artigo original

Imagem: Getty

Embora os aportes em baterias e transformadores ainda sejam menores que os megainvestimentos em IA — que superaram meio trilhão de dólares nos últimos cinco anos —, analistas veem nesses setores um caminho mais previsível de retorno e uma forma de proteger o portfólio caso o boom da inteligência artificial perca fôlego.

Com informações de TechCrunch

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