São Francisco (EUA) – A Ethos Technologies, plataforma de software para venda de seguros de vida, abriu capital na Nasdaq nesta quinta-feira e tornou-se uma das primeiras grandes ofertas públicas iniciais (IPOs) do setor de tecnologia em 2026.
A companhia e acionistas vendedores colocaram 10,5 milhões de papéis a US$ 19 cada, totalizando cerca de US$ 200 milhões captados. Os títulos passaram a ser negociados sob o ticker LIFE, mas fecharam o primeiro pregão a US$ 16,85, queda de 11 % em relação ao preço de lançamento. O desempenho deixou a empresa com valor de mercado aproximado de US$ 1,1 bilhão – bem abaixo dos US$ 2,7 bilhões alcançados na última rodada privada, liderada pelo SoftBank Vision Fund 2 em julho de 2021.
Modelo de negócios
Fundada há dez anos em São Francisco pelos empreendedores Peter Colis e Lingke Wang, a Ethos opera uma plataforma de três lados. Consumidores conseguem contratar apólices on-line em até dez minutos, sem exames médicos; mais de 10 000 corretores independentes utilizam o software para intermediar vendas, enquanto seguradoras tradicionais, como Legal & General America e John Hancock, recorrem ao sistema para subscrição e serviços administrativos. A empresa não é seguradora: atua como agência licenciada e obtém comissões sobre as apólices emitidas.
Rentabilidade e crescimento
Após captar mais de US$ 400 milhões em capital de risco, a Ethos direcionou esforços para alcançar lucro quando o cenário de financiamento se tornou mais restrito em 2022. Segundo o prospecto, a rentabilidade foi atingida em meados de 2023. Nos nove meses encerrados em 30 de setembro de 2025, a receita chegou a quase US$ 278 milhões, com lucro líquido de US$ 46,6 milhões, crescimento anual superior a 50 %.
Comparação com concorrentes
Colis relembra que, no início, havia “oito ou nove” startups de insurtech semelhantes. Muitas mudaram de rumo, foram adquiridas ainda pequenas ou fecharam as portas. Entre os exemplos citados estão a Policygenius, comprada pela Zinnia em 2023 após levantar mais de US$ 250 milhões, e a Health IQ, que entrou em falência no mesmo ano depois de captar mais de US$ 200 milhões.

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Razões para o IPO
De acordo com o cofundador, tornar-se companhia aberta ajuda a transmitir credibilidade a parceiros e clientes, especialmente seguradoras centenárias que dominam o setor. Entre os maiores acionistas externos estão Sequoia, Accel, GV (braço de investimentos do Google), SoftBank, General Catalyst e Heroic Ventures. Sequoia e Accel não venderam ações na oferta.
Com informações de TechCrunch







