Três empresas que constroem parques eólicos offshore entraram na Justiça contra o governo dos Estados Unidos após o Departamento do Interior suspender, em 22 de dezembro, cinco projetos avaliados em US$ 25 bilhões. Juntas, as usinas somariam 6 gigawatts (GW) de capacidade instalada.
Ørsted e Equinor protocolaram ações separadas na quinta-feira (31) e na sexta-feira (1º). A Ørsted é responsável pelo projeto Revolution Wind, de 704 megawatts (MW), enquanto a Equinor desenvolve o Empire Wind, de 2 GW, ambos na costa do Nordeste americano. Já a Dominion Energy acionou a Justiça em 23 de dezembro para retomar a construção do Coastal Virginia Offshore Wind, previsto para gerar 2,6 GW.
Segundo as empresas, a interrupção ocorre quando Revolution Wind está 90% concluído. Empire Wind e Coastal Virginia Offshore Wind alcançaram cerca de 60% das obras. A Dominion afirma perder US$ 5 milhões por dia com a paralisação.
A Avangrid, responsável pelo Vineyard Wind 1, ainda não recorreu aos tribunais. Quase metade desse projeto já opera em fase comercial.
Justificativa de segurança nacional
O Departamento do Interior argumentou “questões de segurança nacional” para suspender os empreendimentos, sem detalhar quais. Autoridades federais citam, historicamente, o impacto das turbinas sobre sistemas de radar. Em fevereiro de 2024, o Departamento de Energia publicou relatório reconhecendo o problema e apontando soluções.
Pesquisadores públicos e privados trabalham há mais de uma década em formas de reduzir a interferência. A escolha precisa dos locais é considerada uma das medidas mais eficazes, e cada proposta é analisada pelo Bureau of Ocean Energy Management em conjunto com o Military Aviation and Installation Assurance Siting Clearinghouse.

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Sistemas de radar mais modernos aplicam algoritmos que filtram o “ruído” das turbinas, explicou anteriormente à imprensa o engenheiro Nicholas O’Donoughue, da Rand Corporation. O Vineyard Wind 1, por exemplo, comprometeu-se a financiar adaptações de radar e a limitar operações quando solicitado pelo Pentágono.
Suspensões anteriores
No ano passado, a administração Trump já havia congelado novas licenças para parques eólicos em alto-mar e interrompido temporariamente Empire Wind e Revolution Wind. O primeiro retomou obras após negociação com o Estado de Nova York; o segundo voltou a avançar depois que um juiz federal derrubou a ordem de paralisação.
Os três processos agora buscam derrubar a última decisão do Departamento do Interior e garantir a continuidade dos cinco projetos, considerados estratégicos para a expansão da geração renovável nos Estados Unidos.
Com informações de TechCrunch







