A crescente necessidade de eletricidade para sustentar aplicações de inteligência artificial levou empresas de tecnologia a buscarem alternativas ao gás natural, abrindo espaço para reatores nucleares modulares (SMRs) e projetos de fusão. A disputa para suprir a rede até 2035 está em aberto.
Gás natural enfrenta gargalos
Tradicionalmente visto como solução de base 24 horas, o gás natural mostrou fragilidade após ataques de drones iranianos, em 2025, destruírem parte da infraestrutura no Catar, um dos maiores exportadores. Paralelamente, a alta na demanda criou uma fila para compra de turbinas tão longa que pedidos feitos hoje só devem ser atendidos no início da próxima década.
Nos Estados Unidos, 40% do gás consumido vira eletricidade. Se o atraso nas turbinas persistir, novos concorrentes poderão ocupar esse espaço.
SMRs avançam no cronograma
Startups de reatores modulares contam com física já comprovada e planejam conectar suas primeiras unidades comerciais à rede em cinco a sete anos — prazo similar ao de montagem de uma usina a gás.
- Kairos Power recebeu, em 2024, aval para o reator-piloto Hermes 2 e já está em obras.
- Oklo, que se fundiu ao SPAC de Sam Altman em 2024, projeta iniciar operações comerciais em 2028.
- X-energy, apoiada pela Amazon, mira o início dos anos 2030.
- TerraPower, fundada por Bill Gates e parceira da Meta, planeja começar a gerar em 2030.
Para desbancar o gás, essas empresas precisam produzir em escala e reduzir custos — desafio que não impediu grandes companhias de assinarem contratos que somam gigawatts.
Fusão nuclear entra na disputa
Menos madura que a fissão, a fusão promete energia abundante a partir de combustível derivado da água do mar. Várias empresas pretendem ligar reatores no início dos anos 2030 ou antes.
- Commonwealth Fusion Systems planeja acionar um reator-piloto no ano que vem e, no início dos anos 2030, estrear o Arc de 400 MW na Virgínia.
- Inertia Enterprises quer iniciar, em 2030, a construção de uma usina em escala de rede baseada no design do National Ignition Facility.
- Helion, financiada por Sam Altman, corre para erguer o Orion até 2028, fornecendo energia à Microsoft. As conversas com a OpenAI preveem 5 GW em 2030 e 50 GW em 2035, o que exigiria 800 reatores até o fim desta década e mais 7.200 nos cinco anos seguintes.
Custos em confronto
Segundo a consultoria Lazard, a geração nuclear atual custa cerca de US$ 170 por megawatt-hora (MWh). Projeções iniciais indicam US$ 150/MWh para fusão, enquanto novas usinas a gás giram em torno de US$ 107/MWh e vêm subindo.

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Fontes renováveis com baterias já variam de US$ 50 a US$ 130/MWh, mesmo sem subsídios. A queda contínua de preços em solar, bem como avanços em armazenamento, pressiona ainda mais os concorrentes.
Baterias de longa duração ganham terreno
Tecnologias que dispensam minerais críticos prometem derrubar os custos de estocagem. A Form Energy assinou contrato para fornecer 30 GWh em baterias de ferro-ar ao Google. Já a XL Batteries reutiliza tanques de petróleo para armazenar fluido orgânico de baixo custo, dimensionando a capacidade conforme o tamanho dos reservatórios.
Com a combinação de novas baterias, quedas em solar e eventuais avanços na fusão ou nos SMRs, o cenário energético para 2035 permanece indefinido, mas cada vez mais competitivo.
Com informações de TechCrunch







