Colírio com nanopartículas mutáveis leva proteína terapêutica à retina e dispensa injeções oculares

Cientistas chineses desenvolveram um colírio capaz de transportar o medicamento bevacizumabe até a retina, alcançando resultados semelhantes aos de injeções intravítreas em testes com camundongos. A pesquisa, publicada em 20 de janeiro de 2026 na revista Advanced Functional Materials, foi conduzida por equipes da Universidade Médica de Wenzhou e do Instituto Wenzhou da Universidade da Academia Chinesa de Ciências.

O avanço se deve a nanopartículas que encolhem gradualmente. Inicialmente, as partículas medem cerca de 214 nanômetros, tamanho que lhes garante permanência na superfície ocular sem serem rapidamente eliminadas pelas lágrimas. Em até 12 horas, elas se reduzem a aproximadamente 44 nanômetros, dimensão que facilita a travessia da córnea e da barreira hematorretiniana até atingir o fundo do olho.

As estruturas são formadas em um único passo de auto‐montagem envolvendo três componentes: o peptídeo penetrante celular CG₂R₉, o próprio bevacizumabe (fármaco anti-VEGF já aprovado pela FDA) e íons de zinco. A formulação atingiu 91,50% de eficiência de encapsulamento e 80,70% de capacidade de carregamento, preservando 98,76% da atividade biológica da proteína.

Desempenho em modelos animais

Nos experimentos, o colírio manteve 39,46% de sua concentração na superfície ocular após três horas — cinco vezes mais que o bevacizumabe isolado (7,25%). A concentração máxima na retina, de 253,3 ng/g, foi registrada seis horas após a aplicação, coincidindo com o período em que as partículas alcançam o menor tamanho.

Em modelo murino de retinopatia induzida por oxigênio, duas aplicações diárias durante cinco dias reduziram em cerca de 52% tanto a área de não perfusão quanto o crescimento patológico de vasos sanguíneos, desempenho próximo ao da aplicação direta por agulha no vítreo.

Colírio com nanopartículas mutáveis leva proteína terapêutica à retina e dispensa injeções oculares - Imagem do artigo original

Imagem: tears

Ensaios de segurança em ratos, com administração contínua por 30 dias, não revelaram inflamações, alterações na densidade das células endoteliais da córnea nem prejuízo da função retiniana medida por eletroretinografia.

Apesar dos resultados promissores, os autores destacam a necessidade de confirmar a eficácia em modelos de olhos maiores e de investigar o possível acúmulo de zinco em uso prolongado antes de avançar para ensaios clínicos em humanos.

Com informações de Nanowerk

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