Pesquisadores da Universidade de Macau e parceiros apresentaram um chip microfluídico digital que integra microestruturas tridimensionais impressas em 3D em um único passo de fabricação. O dispositivo, descrito em artigo publicado em 29 de janeiro de 2026 na revista Microsystems & Nanoengineering, permite movimentar gotículas com precisão, capturar células de forma eficiente e formar esferoides celulares rapidamente, aproximando os experimentos de laboratório das condições encontradas em tecidos reais.
A equipe recorreu à projeção por estereolitografia para imprimir, de uma só vez, a camada dielétrica, barreiras de confinamento e matrizes de micropoços diretamente sobre os eletrodos do chip. Ao eliminar etapas de litografia em sala limpa, o método simplifica a produção e garante controle preciso sobre o ambiente celular 3D.
Parâmetros fundamentais para a atuação das gotículas — como tensão aplicada, geometria dos eletrodos e altura das microestruturas — foram otimizados. Testes mostraram que o sistema executa transporte, divisão e fusão de gotículas em superfícies planas e em relevo, direcionando suspensões celulares para os micropoços com alta exatidão.
Uma vez confinadas, as células se auto-organizaram em esferoides compactos. Ensaios de viabilidade e proliferação indicaram que os agregados permaneceram saudáveis por 24, 48 e 72 horas, exibindo interações celulares e organização semelhantes às de tecidos in vivo.
Os autores destacam que a combinação de microfluídica digital com estrutura 3D resolve um gargalo antigo na cultura celular em microchips, ao oferecer controle preciso sem processos de fabricação complexos. A plataforma pode beneficiar testes de fármacos, estudos de câncer, engenharia tecidual e o desenvolvimento de sistemas organ-on-chip.

Imagem: Internet
Os próximos passos incluem reduzir as tensões de operação e incorporar sensores e co-cultivo de múltiplos tipos celulares, visando modelos de tecido ainda mais sofisticados e de longa duração.
Com informações de Nanowerk







