CEO do Patreon chama de “fajuto” argumento de fair use usado por empresas de IA

AUSTIN (EUA) – O cofundador e presidente‐executivo do Patreon, Jack Conte, afirmou durante palestra na SXSW, nesta semana, que empresas de inteligência artificial não deveriam treinar modelos com obras de criadores sem remunerá-los. Segundo ele, a alegação de “fair use” apresentada por essas companhias é “fajuta”.

“Se fosse realmente justo usar, por que elas fecham acordos multimilionários com gigantes como Disney, Condé Nast, Vox e Warner Music?”, questionou. Para Conte, o pagamento a grandes detentores de direitos autorais desmonta a tese de uso livre quando se trata de trabalhos de ilustradores, músicos e escritores independentes.

“Mudança não é morte”

Conte destacou que não é contra a tecnologia ou à IA. “Eu dirijo uma empresa de tecnologia”, lembrou, acrescentando que vê a inteligência artificial como mais uma etapa no ciclo de rupturas vivido pelos criadores desde o início da era digital, como a migração da venda de músicas no iTunes para o streaming ou a adoção de vídeos verticais no TikTok.

O executivo, que fundou o Patreon em 2013 para ajudar artistas a receber diretamente por seu trabalho, disse ter aprendido que “mudança não significa morte” e que criadores conseguem se reinventar. No entanto, reforçou que a nova onda tecnológica só será sustentável se houver recompensa financeira a quem gera o conteúdo que alimenta os algoritmos.

Defesa da remuneração

Ao ler trechos de um documento que chamou de “manifesto”, Conte argumentou que os modelos de IA já criaram “centenas de bilhões de dólares em valor” a partir de obras de milhões de artistas. “As empresas de IA devem pagar pelos nossos trabalhos, não porque a tecnologia é ruim, mas porque, em muitos casos, ela é boa e será parte do futuro”, afirmou.

CEO do Patreon chama de “fajuto” argumento de fair use usado por empresas de IA - Imagem do artigo original

Imagem: Getty

Ele encerrou a apresentação com otimismo, dizendo acreditar que “grandes artistas continuarão a impulsionar a cultura” e que o público seguirá valorizando produções humanas, independentemente dos avanços da inteligência artificial.

Com informações de TechCrunch

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