O assistente pessoal de inteligência artificial Moltbot, que até poucas semanas atrás atendia pelo nome Clawdbot, transformou-se em sensação na comunidade de desenvolvedores depois de conquistar mais de 44,2 mil estrelas no GitHub em tempo recorde. O projeto, criado pelo programador austríaco Peter Steinberger, manteve o tema de lagosta mesmo após uma disputa de marca com a Anthropic, que exigiu a troca do nome por semelhança com o modelo Claude.
Origem de um projeto caseiro
Steinberger, conhecido no X (antigo Twitter) como @steipete e fundador da PSPDFkit, desenvolveu o que agora se chama Moltbot para organizar sua própria rotina digital. A ferramenta promete “fazer as coisas de verdade”, como gerenciar agenda, enviar mensagens em aplicativos e até realizar check-ins de voo. A proposta atraiu milhares de entusiastas dispostos a enfrentar a instalação técnica exigida pelo software open source.
O assistente roda localmente no computador ou servidor do usuário, o que, segundo seu criador, oferece transparência de código e evita depender da nuvem. Ainda assim, a autonomia do programa gera preocupação: por executar comandos no sistema, ele pode ser alvo de ataques de prompt injection, quando instruções maliciosas chegam, por exemplo, via mensagem de WhatsApp e disparam ações não autorizadas.
Alerta para riscos
O empreendedor e investidor Rahul Sood destacou nas redes sociais que o uso seguro do Moltbot exige isolamento – preferencialmente em um VPS ou em um computador dedicado, com contas descartáveis. “Não no laptop onde estão suas chaves SSH, credenciais de API e gerenciador de senhas”, aconselhou.
A própria mudança de nome expôs vulnerabilidades. Durante a transição de Clawdbot para Moltbot, golpistas criaram perfis falsos e projetos de criptomoedas em repositórios que imitavam o oficial. Steinberger alertou: qualquer iniciativa que o liste como “dono de coin” é golpe, reforçando que o único perfil legítimo no X é @moltbot.
Impacto no mercado
O interesse pelo assistente também repercutiu no mercado financeiro. As ações da Cloudflare, empresa cuja infraestrutura é amplamente usada para executar o Moltbot localmente, chegaram a subir 14 % no pré-mercado da última terça-feira, impulsionadas pelo burburinho em redes sociais.

Imagem: Getty
Apesar do impulso viral, especialistas veem o projeto ainda restrito a early adopters. Configurações complicadas, necessidade de conhecimento em segurança e a recomendação de ambiente isolado podem afastar usuários não técnicos. Para quem se aventura, contudo, o Moltbot oferece um vislumbre de como agentes de IA podem automatizar tarefas cotidianas de forma autônoma.
No momento, o desafio é equilibrar utilidade e proteção: usar o assistente em um sistema segregado reduz riscos, mas também limita a conveniência de integrar contas e dados pessoais – justamente o que torna uma ferramenta desse tipo realmente útil.
Com informações de TechCrunch







