Um grupo do Korea Research Institute of Chemical Technology apresentou um alto-falante termoacústico feito com grafeno que continua emitindo som com mínima perda mesmo após ser dobrado, enrolado ou esticado em até 500 % do seu comprimento original. O estudo foi publicado em 26 de janeiro de 2026 na revista Advanced Science.
Como funciona
O dispositivo dispensa membranas vibratórias tradicionais. Ele gera ondas sonoras por aquecimento e resfriamento rápidos do ar ao redor de um condutor, processo conhecido como efeito termoacústico. Para isso, os pesquisadores transformaram filmes planos de óxido de grafeno em microestruturas verticais de grafeno reduzido (VrGO) utilizando dois tipos de laser:
- CO₂ contínuo, 10,6 µm – aquece o material a cerca de 2 500 °C, remove grupos de oxigênio e faz as camadas de grafeno ficarem de pé, criando “paredes” verticais.
- Fibra pulsada, 1,06 µm – recorta padrões de kirigami que permitem ao filme se esticar e assumir formas 3D.
Espessura sem prejudicar o som
Filmes entre 20 µm e 170 µm foram testados. Enquanto um alto-falante plano de 170 µm despencou para 66,1 dB, a versão VrGO da mesma espessura manteve 82,6 dB – apenas 2,4 dB abaixo do valor máximo medido (85 dB a 10 kHz). A arquitetura vertical facilita a dissipação de calor, reduz o calor específico para 0,503 J g−1K−1 e acelera a resposta térmica.
Kirigami eleva a flexibilidade
Graças aos cortes precisos, o VrGO suportou:

Imagem: Nanowerk https
- Estiramento de 500 % mantendo mais de 75 % do nível sonoro inicial;
- 1 000 ciclos de alongamento a 100 % de deformação sem perda perceptível de desempenho;
- Conformação em padrões auxéticos, dobragem em caixas prismáticas e emissão de áudio omnidirecional.
Segundo os autores, o processo usa óxido de grafeno comercial e equipamentos de laser amplamente disponíveis, abrindo caminho para alto-falantes ultraflexíveis em wearables, robótica macia e sistemas de som espaciais.
Com informações de Nanowerk







