CEO da Tether lança ofensiva midiática para promover nova stablecoin dos EUA

Paolo Ardoino, presidente-executivo da Tether, multiplicou aparições na imprensa internacional na última semana, passando por veículos como Fortune, Bloomberg, Reuters e TechCrunch. O movimento coincide com o lançamento do USAT, primeira stablecoin da empresa emitida por meio do Anchorage Digital Bank e desenhada para atender às novas regras federais dos Estados Unidos.

Nova etapa no mercado norte-americano

O USAT chega para disputar espaço com o USDC, da Circle, e com tokens recém-lançados por gigantes como Fidelity Investments, JPMorgan Chase e PayPal. Diferentemente do USDT — carro-chefe da Tether com US$ 187 bilhões em circulação global que não atende às exigências regulatórias norte-americanas —, o novo ativo pretende operar sob supervisão direta nos EUA.

Das ilhas ao governo de Washington

Conhecido por manter distância do mercado americano após anos de investigações, Ardoino afirma agora manter diálogo com a Casa Branca e colaborar com FBI e Serviço Secreto. O executivo, de 41 anos, falou por vídeo a partir de Lugano, na Suíça, onde a empresa mantém escritório.

Domínio de mercado e impacto em países com moeda fraca

Segundo o CEO, o USDT alcança 536 milhões de usuários e cresce cerca de 30 milhões por trimestre. Ardoino destaca o uso da stablecoin em economias fragilizadas: o peso argentino perdeu 94,5 % de seu valor frente ao dólar em cinco anos; no Haiti, o salário médio diário é de US$ 1,34. “Essas pessoas nunca fizeram parte do sistema financeiro”, diz.

Relação com autoridades e combate a ilícitos

Ardoino afirma que a Tether trabalha com quase 300 agências de aplicação da lei em mais de 60 países e já congelou US$ 3,5 bilhões em tokens, a maior parte ligada a golpes ou invasões. Em 2023, relata ter bloqueado US$ 225 milhões relacionados a um esquema de “pig butchering”.

Reservas, críticas e testes de estresse

Após a queda da stablecoin TerraLuna em 2022, a Tether processou resgates de US$ 7 bilhões em 48 horas e de US$ 20 bilhões em 20 dias, segundo o executivo. Ele diz manter US$ 30 bilhões em reservas excedentes, geridas pela Cantor Fitzgerald, cujo ex-CEO Howard Lutnick ocupa o cargo de secretário de Comércio dos EUA há um ano.

Questionado sobre a avaliação de “estabilidade fraca” dada pela S&P Global Ratings há três meses, Ardoino ironiza: “Se é a mesma S&P que não previu a crise dos subprime, sinto-me honrado por nos considerarem fracos”.

CEO da Tether lança ofensiva midiática para promover nova stablecoin dos EUA - Imagem do artigo original

Imagem: Getty

Lucro recorde e debate sobre remuneração

Reportagem da Fortune aponta lucro superior a US$ 15 bilhões em 2025, resultado principalmente de juros sobre reservas que não são repassados aos detentores de USDT. Ardoino argumenta que, em países com inflação galopante, o foco do usuário é preservar valor, não receber rendimentos. Além disso, o projeto de lei CLARITY, em tramitação no Congresso, pode proibir o pagamento de juros por emissores de stablecoins.

Diversificação: ouro, IA e investimentos bilionários

Lançado em 2020, o Tether Gold soma US$ 2,6 bilhões em circulação, enquanto a empresa mantém cerca de 140 toneladas do metal — valor estimado em US$ 24 bilhões. Desde o lançamento, a companhia compra de uma a duas toneladas por semana.

No campo de inteligência artificial, a Tether apresentou há nove meses o Qvac, plataforma descentralizada que deve rodar localmente em smartphones. Para sustentar essa estratégia, o grupo investiu mais de US$ 1 bilhão na fabricante alemã de robótica Neura, US$ 775 milhões na rede social Rumble e centenas de milhões em satélites, data centers, agricultura e até no clube de futebol Juventus.

Visão de longo prazo

Ardoino resume a meta da companhia: “O lema da Tether é ser a empresa estável”. Para ele, investir em terras, gado, ouro e tecnologia cria um sistema interligado que garantirá a sobrevivência do negócio diante de crises econômicas ou políticas.

Com informações de TechCrunch

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