Pesquisadores dos Estados Unidos apresentaram, em 29 de janeiro de 2026, um método de impressão 3D que controla a estrutura interna de plásticos convencionais por meio de variações de luz, criando em uma única peça zonas rígidas e flexíveis sem trocar o material de base.
A tecnologia, batizada de crystallinity regulation in additive fabrication of thermoplastics (CRAFT), foi descrita na revista Science e envolve cientistas do Sandia National Laboratories (SNL), da University of Texas at Austin, da Oregon State University, da Arizona State University, da Savannah River National Laboratory e do Lawrence Livermore National Laboratory (LLNL).
Como funciona
Durante a polimerização ativada por luz, a intensidade luminosa determina o grau de cristalização do termoplástico. Iluminação mais fraca favorece regiões cristalinas — resultando em áreas mais rígidas —, enquanto maior intensidade inibe a cristalização, gerando partes macias e transparentes. Ao projetar padrões em tons de cinza, é possível criar transições suaves de propriedades mecânicas e ópticas dentro do mesmo objeto.
Software acelera o processo
O engenheiro do LLNL Hernán Villanueva desenvolveu um software que converte arquivos de desenho assistido por computador (CAD) em instruções de impressão específicas para o CRAFT. A ferramenta, baseada em computação de alto desempenho, reduz o tempo de geração desses comandos de horas para segundos, permitindo rápida iteração de projetos.
Aplicações potenciais
Os autores citam uso em manufatura avançada, robótica macia, defesa, amortecimento de energia e armazenamento de informações. Exemplos já produzidos incluem estruturas que imitam ossos, tendões e tecidos moles, réplicas de pinturas famosas e componentes capazes de absorver vibrações sem ganho de peso ou complexidade.
Vantagens ambientais
Por empregar termoplásticos, os itens fabricados continuam recicláveis e podem ser remodelados, característica vista pelos pesquisadores como ponto positivo para a sustentabilidade industrial.

Imagem: Internet
Segundo a cientista Johanna Schwartz, do LLNL, obter múltiplas propriedades a partir de “um único tanque de resina” simplifica a impressão de peças com diferentes módulos de elasticidade. Para ela, os casos mais promissores envolvem controle de vibrações em setores como espacial, de fusão nuclear e eletrônico.
O desenvolvimento integra a estratégia do LLNL de combinar modelagem computacional, design e novos processos de fabricação para criar peças com desempenho personalizado em nível molecular.
Com informações de Nanowerk







